segunda-feira, 31 de dezembro de 2007


Tenho sempre o mesmo problema quando chega a hora das passas. Não vou com metas definidas e como aquilo é suposto ser uma passa por badalada, acabo sempre com a boca cheia e a desejar paz no mundo e saúde para os meus 5 vezes seguidas.
Desta vez vou com um papelinho escrito, tipo discurso em noite de óscares. Pode ser que assim não me desvie do que é importante. E essas coisas são:


1.Pagar o cartão de crédito por inteiro todos os meses
2.Que chova a sério uma vez por semana para me lavar o carro
3.Paz no mundo
4.Saúde para os meus
5.Férias nas Seychelles
6.Amor amor amor
7.Felicidade
8.Dinheiro
9.Saúde
10.(hummm, aqui já se começam a esgotar as hipóteses.... ahh, já sei) que tudo o que me desejarem recebam em troca a dobrar
11.Paz no mundooo...?
12.Que todos os que gostam de mim sejam felizes, felizes a sério. Os restantes, só um bocadinho. Gostassem de mim que logo viam o que era bom!

Tá feito!

sábado, 29 de dezembro de 2007

A Pequena Sereia
Kiss the girl

Under The Sea

2007


Olhando para trás, assim de repente, até me parece ter sido um ano bom. Notei algumas mudanças em mim, adquiri uma confiança que parecia escondida no sótão das minhas entranhas (isto é onde?). Tenho mais umas rugas. Não digam que não que eu sei que sim! Estão cá. Debaixo dos olhos, na testa, e é tudo fruto do meu maldito trabalho, que adoro, que me obriga a acordar de madrugada tantas vezes que me sinto abençoada no dia em que posso acordar às 9 da manhã. Ganhei também um dente novo. Sim! deixei de ser uma desdentada, que já não queria rir para as fotografias, com complexos, porque sabia que aquele espaço em branco ao fim da dentadura iria estar sob a luz da ribalta. Até as minhas gargalhadas começaram a ser contidas, e ocasionalmente ria com uma mãozinha à frente da boca. Como eu estava! O que faz não ter um dente.
Em casa tive os problemas do costume, o pai enlouquecido, o irmão que raramente ajuda, mas a mãe compôs tudo.
No trabalho tudo calmo, veio a prendinha no sapatinho no fim do ano. Vou começar uma etapa nova, mas isso já vai ser tudo em 2008. Em 2007 fica só a esperança para que corra tudo bem, o nervoso miudinho, a ansiedade.
E no amor? No amor não houve nada, até porque não há amor por estas bandas. Não há. Há relacionamentos, que duram, há o gostar de alguém ou de alguns, mas amor é coisa que não passa por aqui. Sim, porque o amor não me deixava fazer as coisas que faço, não me deixaria indecisa entre ir ter com um ou outro, ou talvez outro. O amor não me deixava andar de olhos arregalados a olhar para outros homens, a rezar para que me telefonassem ou deixassem uma mensagem só para saber como era. O amor não deixa. E eu sei-o. E fico feliz por isso, porque se ainda pensasse que era amor devia internar-me já no hospital psiquiátrico mais próximo para fazer uma daquelas curas em que andava tão drogada que me babava. Assim, enquanto o amor não vem, continuei com os meus dois senhores, os meus amos, os meus caprichos. Deixei de os ver com lentes cor de rosa, aceitei-os como são, e não quero mais nada deles do que o que me queiram dar. Deixei de andar atrás, de culpar, de exigir, de jogar. É o que é. Há que aproveitá-lo enquanto o certo não aparece, como diz a frase.
Mas o melhor de tudo, o melhor do ano, foram os amigos. Todas as idas ao japonês, com os olhos tortos de olhar para a passadeira que continuava a rolar. Partilharam-se confidências, gargalhadas, experiências a repetir, histórias a esquecer. Estiveram sempre lá. Uns novos, outros velhos, amigos de sempre.


Ahhhh, e talvez seja ainda cedo para lançar os foguetes, não me vá acontecer ainda alguma coisa, mas este ano NÃO BATI COM O CARRO!!!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Tradições


A minha tradição de Natal não é o bacalhau da consoada, não são as rabanadas, não é o estar com a família, nem o trocar de prendas. A minha tradição de Natal é: ir à prateleira dos cds em desuso, tirar o da Mariah Carey Merry Christmas, limpar o pó que se acumulou durante um ano, e ouvir durante os minutos seguintes a música All I want for Christmas enquanto acompanho com o meu canto esganiçado e bem alto. Normalmente faço estas figuras na autoestrada. Grito tanto que tusso e vêm-me as lágrimas aos olhos. O giro é que todos os anos canto a musiquinha com uma emoção diferente. Já estive esperançosa, desesperada, já chorei como se alguém tivesse morrido, já ri de contente, de estupidez, e, este ano, cantei sem saber para quem. Como aquela música “Goodnight my someone”. All I want for Christmas is you. Ah pois é, resta saber quem é o you.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007



Feliz Natal!!

domingo, 23 de dezembro de 2007

Jantar de Natal


Propôs-se a cozinhar-me o jantar. Ofereci a casa, ele os dotes culinários. Eu estava contente, feliz da vida, acabara de receber uma óptima notícia, um presente de Natal antecipado. Queria contar a todos, partilhar com todos a euforia que se espalhava por mim fora. Concordei ir ter com ele, não levantei nenhuma das minhas reivindicações do costume. Não me preocupei com o atraso que ia gerar quando combinei ir lanchar com a minha prima, quando parei na sapataria para ver a montra ou fui ao clube de vídeo alugar um filme para vermos. Tive de parar para pôr gasóleo. Mas ainda era cedo. Ele esperava. Sabia que sim. Não ia correr nada mal naquela noite, os deuses do Olimpo estavam finalmente do meu lado.
Consegui chegar primeiro. Ele ainda parara pela segunda vez no supermercado para comprar alguma coisa que se tinha esquecido. Aproveitei para fazer um telefonema e juntei-me a ele no caminho a casa quando chegou carregado com dois sacos. Já o conheço há anos, mas cozinhar para mim foi coisa que nunca tinha acontecido. Apesar de tudo, de ser mais uma asneira, mais uma acha para a fogueira, apreciei o momento. Gostei da familiaridade, da cumplicidade, no pôr a mesa enquanto ele descascava os alhos, ao me sentar no balcão da cozinha com um copo de vinho na mão enquanto ele mexia os camarões na frigideira. Sorri com orgulho enquanto lhe dava a boa nova e aqueci por dentro quando me deu os parabéns. Já não o via como aquele que era perfeito para mim, como o meu príncipe. Já lá vão os anos de desespero. Agora em vez de paixão tenho-lhe ternura, carinho. É oficialmente o meu Teddy Bear. É verdade. E isto não é uma coisa má. Sei que não. (A não ser que a namorada dele se lembre de me fazer uma espera e dar-me uma sova. Mas ela é fina de mais para isso.) Vimos um filme aninhados pela primeira vez, ri até chorar ao seu lado e ele pensou que eu estava louca. Pensei em falar-lhe do outro, dizer-lhe que havia outra pessoa, mas não tive coragem. Não quis estragar-lhe a noite. Adormeci, ele foi lavar a loiça e chegou a hora de ir embora.
Não o vou mudar, não quero que mude. Está bom assim.

Resta contar que enquanto preparava o jantar recebi um telefonema do outro toni. Que caraças! Sempre a mesma coisa. Combinam para me deixar louca, é? Fugi para a rua com a desculpa de ir comprar papel higiénico ao supermercado porque não havia em casa. Delirei. Delirei!E voltei com um jantar marcado para esta semana. E é nesta altura que me podem começar a chamar nomes. Estejam à vontade.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Progressos



Passados 9 anos, 9 anos inteirinhos,

9 anos em que ri e chorei, em que me quis enterrar nos lençóis e em que quis sorrir para o mundo,

9 anos que não me levaram a lado nenhum, que só me ensinaram o que não fazer,

9 anos de humilhações, de nariz empinado, de eu sou mais eu,

9 anos de desilusões, de meias conquistas,

9 anos que me prendem ao passado, que me fazem pensar que o tempo não passou, que ainda tenho 18 anos e o conheci há meia dúzia de meses,

9 anos que se resumem a dias, a não eventos, a não histórias para contar aos netos,

9 anos de passeios pela praia, de encontros clandestinos,

9 anos de brincadeira, de asneiras, de fingimentos e mentiras.



Passados 9 anos de interacção tive direito à 1ª prenda de Natal, ao primeiro embrulho que se fez acompanhar por uma caixa de chocolates e uma garrafa de vinho. Talvez para o ano tenha direito à 1ª prenda de anos, ou talvez só daqui a outros 9 anos.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007


Tive um atrito com um toni. Uma coisa que me pareceu grave, que me deixou no chão, de orgulho ferido. Passei um dia com olhos de carneiro mal morto, mal disposta, com lágrimas à beira dos olhos. Uma coisa parva, o drama do mês. No mesmo dia o outro toni mandou-me uma mensagem, ligou e eu não atendi. No estado em que estava ia acabar por discutir com ele também. Ia ser capaz de ir buscar histórias ao baú das velharias e atirar-lhe com o dia em que não me telefonou há 5 anos atrás, ou com outra coisa qualquer ainda mais insignificante. Disse-lho através de um sms. Agora não estou bem disposta. Vais sair afectado por isso é melhor nem falar contigo. Ligo mais tarde. Liguei antes de ir dormir. Já me tinha rido com uma história de uma amiga, já era eu de novo, em todo o meu esplendor. Então, o que é que se passou? Foi no trabalho? Não, não foi nada. Já não interessa. Mas já não estás chateada? Não era comigo, pois não? Vá não stresses. Não vale a pena. Ai se ele soubesse do que estava a falar!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Na semana passada


Foi bonito ouvi-lo dizer que tinha dois amigos apaixonados por mim. Como chegou a essa conclusão? Ora, dantes não vinham connosco ao café e agora como tu vens estão sempre lá. Ah, sim? Olha que bom. Pena é não estarem disponíveis, senão eram umas boas conquistas.
Escrevi um texto novo, tens de o ler. É claro que diz que o gostar de alguém é exactamente o contrário ao que faço contigo. Eu contra mim falo. Vê lá se queres ficar já aí na rua a pedir boleia aos carros que passam!
Pois, e os meu amigos ali a meterem-se contigo mesmo à minha frente. Mas bem, o que é que eu vou fazer? Sim, o que é que vais fazer? Nada, porque nem vale a pena te dares ao trabalho. Encolhes os ombros e segues em frente. Há muito peixe no mar.
E os meus pais que te queriam adoptar? Vá, vem para a cama que faz frio.

Qual era o nome dos desenhos animados que vimos esta manhã?

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007


Babem-se!


Cheguei no primeiro dia a não querer ter ido. Queria ter ficado em Lisboa, com ele, havia tanta coisa para fazermos que tinha ficado incompleta. O que é que eu estava a fazer ao ir para fora naquele momento?
No segundo, esqueci-me do meu mundo. Era outra, feita turista, a absorver o modus operandi de nuestros hermanos.
No terceiro, ao ler um livro, já era o outro que eu queria. Já nos estava a ver juntos, numa daquelas cenas de arrancar roupa, beijos sôfregos e impacientes, às voltas pela sala até chocar contra uma parede.
No quarto dia, veio a incógnita. Ora, se tivesse de escolher entre um e o outro neste momento, ia ter um grande dilema. Não quero mesmo nenhum dos dois. Esta casa já merecia uma roupita nova, umas cortinas diferentes, umas coisas giras que lavassem a vista.
E regressei ao lar. Apática, triste por não ter ficado mais tempo, por não feito mais umas compras, comido mais uns churros e outras coisas apetitosas. Homens? Nem vem vê-los. Nenhum.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Almuñecar




Depois da neve, veio a praia. Dois climas opostos a uma hora de distância. Foi bom ver o sol (e os vendedores ambulantes a fugir da polícia).
O mau é que já acabou. 3a volto ao trabalho e logo com um dia daqueles que nem dá vontade de sair da cama.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Serra Nevada



Hoje estive aqui. Eu, a prima e as amigas. Subimos até lá a cima para... voltar a descer. Nada melhor para cansar o corpo e limpar a alma. Quando cheguei cá abaixo estava tão suja, conspurcada e deturpada como antes. Já não tenho remédio.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007


Tinha uma ida às compras planeada e, quando cheguei à casa dele para o apanhar, pediu-me para subir porque ainda estava a arrumar umas coisas e aquilo estava meio atrasado. A arrumar umas coisas? Sei... Vais arrancar-me a roupa, isso é que vais.
Subi as escadas o mais devagar que pude. Até ao terceiro andar, tentando não ficar ofegante, nem com o coração a bater a mil à hora, como fico sempre que chego lá a cima. E não é de ansiedade, nem de excitação. É mesmo do esforço. Aquelas escadas dão cabo de mim. Subi então as escadas, já com o meu discurso preparado. Despacha-te lá que já está a ficar tarde. O que é que andaste a fazer durante este tempo todo? E para lá quieto. Pronto, está bem. Vamos lá a isso. Já estava a ver o filme todo, e era de 3a categoria. Só que desta vez enganou-me bem. Se o meu coração já estava acelerado à conta das escadas, quase me saltou pela boca fora quando uma versão sua, feminina e com mais 30 anos, me abriu a porta. A mãe?! A mãe dele ali?! Não estava preparada para aquilo. Não estava NADA preparada para aquilo. E ele também podia ter avisado, não é verdade? Devia ter avisado. Podia ser que corasse um bocadinho menos, ou ficasse menos nervosa. O que valeu foi que a senhora era uma simpatia e tratou de me pôr à vontade. Nem questionou o facto do filho estar a receber visitas femininas em boxers. Imagino que esteja habituada. Já eu, não estou nada habituada a conhecer os pais dos homens com quem travo conhecimentos mais íntimos, principalmente sem aviso prévio. É claro que depois da mãe ainda apareceu o pai. Também simpático, a oferecer-me lanche e tudo. O coração foi acalmando e minuto a minuto fui ficando mais sossegada, menos paranóica. A senhora também começou a falar mais, a contar as viagens que fez, os sítios que conheceu. Falou da doença da gata, da doença do marido, do medo de ter trabalhado a vida toda e não ter netos a quem deixar a herança. E no fim, tcharam!! Já viu fotos do meu menino quando era pequenino? Era tão bonito. Olhe lá que lindo. Aqui tinha 3 anos. Aqui penso que já tinha 4 ou 5. E eu toda ria por dentro. Aí estava um momento da minha vida que não ia esquecer tão cedo.

Surpresa!

Há uma música no cd novo das Sugababes que diz:

Surprise
Why you call me up late at night?
Expecting me to want to die
I'm busy here with some other guy
It's good since you told me goodbye

Conheço um rapaz que devia ouvir destas coisas. Um ou dois.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Acho que faz de propósito para que eu não ganhe asas. Não posso andar contente que me manda logo um balde de água fria à cara. E eu, depois do choque e do arrepio, ainda me rio e acho que fez muito bem. Estava a merecer aquilo. Não tinha nada de andar contente, nem de pensar que até estava tudo bem. Não está nada bem. É doentio!

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Life perfect, aint perfect if you don't know what the
struggles for

Falling down aint falling down if you don't cry when
you hit the floor

It's called the past 'cause im getting past and i
ain't nothing like I was before.


You ought to see me now.
Yes I was burned but I called it a lesson
learned

Mistake overturned but i called it lesson
learned.

My soul has returned so I call it a lesson
learned.

Another lesson learned....


In, Lesson learned
By, Alicia Keys

Tanta lição que já aprendi. São as chamadas dores do crescimento..


Tenho dias em que me apetece mesmo muito fazer uma asneira. Telefonar a este ou àquele e ir ter com ele, rebolar um bocado nos lençóis e vir embora. Horny days, talvez. Mas por uma ou outra razão cortam-me as asas, adiam-me o encontro para o dia seguinte, ou para dias depois. Só que, quando chega a esse dia, a vontade que tinha já era. Foi-se. Esfumou-se. Nem mesmo ver a pessoa em questão me apetece. Mas vou na mesma. Está combinado, está combinado. Fico meio mosca morta, meio calada, com respostas monossilábicas, à espera que desça em mim a louca. Nuns dias aparece, noutros não. Quando não aparece deixo-me ser manipulada, vou ao sabor do vento, quero ver o que se vai passar a seguir. Digo muito não quero, não me apetece, não faças isso, fica quieto, pára. Ouço e não falo. Deixo-me andar por ali até chegar à hora de ir embora. Mas há dias em que se acende um rastilho. Uma conversa que ouço, uma memória de alguma coisa que me irritou, uns ciúmes desmedidos, nunca são coisas boas. Aí enlouqueço, fico chanfrada. Vais já ver o que é que te acontece! A asneira transforma-se em burrice.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Contra-senso


O homem que me diz que não se apaixona consegue dormir uma noite inteira abraçadinho, sem mexer um músculo, com o braço estendido para que eu possa fazer dele almofada, mesmo que o deixe de sentir ou que lhe cause formigueiro.

O homem que me diz que me adora e que não vive sem mim nem consegue caminhar ao meu lado na rua quanto mais passar-me o braço pelos ombros.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007


Descobri em mim duas pessoas diferentes. Estão cá sempre dentro. Uma sou eu, a outra também. Não sei qual a melhor, não sei qual a que faz menos mal, nem mesmo qual a mais esperta, mais ciente. Há uma e há a outra. Há a que chora e a que ri. A que não faz mal a uma mosca, e a que só faz asneiras. Há a que reclama e a que não quer saber. Dou-me melhor com a P que não quer saber, é muito mais divertida, ri-se muito mais, faz o que quer sem remorsos. É a louca cá do sítio, tem dado muito o seu ar de graça ultimamente. Mas a outra tem nela todos os meus sonhos, aqueles que vivem e os que já foram. É a princesa do conto de fadas que acredita que tudo vai correr bem. É a que sabe o que era bom para mim, o que me deixaria feliz e chora quando não o consegue. Já a outra encolhe os ombros e diz “paciência”. Não tenho meio termo entre as duas, nem sei como as controlar. Ou está uma, ou está a outra. Revelam-se sem eu dar por ela. Nunca sei quem está à espreita.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

O quê?


Não sei de onde é que isto saiu, do que escrevia, o que queria dizer, nem a quem. Caiu-me uma folha do caderno com isto escrito, nem data tem. Fica aqui para a posterioridade.




Deixa-me dizer-te que nunca fui mulher de andar atrás de um homem, de o perseguir até à morte, com telefonemas seguidos, visitas inesperadas, mensagens idiotas. Sei quando alguém me quer na sua vida, sei quando quero alguém na minha vida, e quando esses momentos não se cruzam sei esperar. Sou paciente, sei que vale a pena o reencontro.
Temos andado desencontrados, dessincronizados. Começaste a corrida primeiro que eu e já não te consigo alcançar para que me passes o testemunho. Mas continuo a correr.



Devia estar pouco bêbada, devia.

sábado, 17 de novembro de 2007

Céus!!


Conheci este senhor no avião. Achou-me graça e meteu conversa. Brasileiro e jogador de futsal. Com a conversa toda estudada. Jesus Christ! Deu-me uma coisa quando me mandou esta foto pelo messenger!

Li esta frase neste blog e gostei.

Eu juro pelo que há de mais sagrado que o que restar de mim é teu.

Vou guardá-la para quem merecer.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007


Podia ter sido melhor, com mais adrenalina. Menos boa sorte, good luck, e mais Não me deixe só.
Mas não foi mau. Valeu a pena.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007


Pois, é oficial. Estou louca. Tonta. Maluca. Passada da cabeça. Sem os parafusos todos. Totó. Demente. Desiquilibrada. Doidivanas.
Esta semana foi de emoções fortes. Foi o passo atrás na vida pessoal, que me deixou desorientada, sem saber o que estava a fazer -excepto que era uma grande asneira- e o passo à frente na vida profissional, o vamos lá a ver se é desta. Tudo com muitos nervos à mistura. (Não sei que milagre se passou porque a esta altura já devia estar careca, mas o cabelo até parece ter caído em menor quantidade. Vá-se lá saber porquê, ou qual foi a alternativa de fuga corporal para este frenesim todo.)
Chegamos ao dia de hoje, em que estou completamente desvairada, em que faço asneira atrás de asneira e rio com tudo. Rio com o brasileiro que conheci no avião, giro como tudo, que me achou graça e adicionou no messenger. Rio depois de ter feito a minha primeira bootie call e enquanto vou no carro a achar que sou uma oferecida do catano e que devia era estar a recusar encontros destes, não a promovê-los a meio da tarde. Rio quando atendo o telefonema de um na casa do outro, que em vez de estar calado começou a falar alto e a bom som, o que me obrigou a mentir. Festa cá em casa? Não, é a televisão. Valham-me os deuses todos do Olimpo e as fadinhas da Floribela. Isto não está nada bom. O que vale é que é dia de Vanessa da Mata. Vou cantar muito.

"Você vai me destruir
como uma faca cortanto as etapas
furando ao redor
me indignando, me enchendo de tédio
roubando o meu ar
me deixa só e depois não consegue
não me satisfaz"
aaaaz

in, Vanessa da Mata, Você vai me destruir

quarta-feira, 14 de novembro de 2007


Fiquei louca depois do jantar. Não louca desvairada, mas louca de não conseguir parar de pensar naquilo tudo, de começar, de voltar a querer estar com ele. É que não me conformava com aquela aceitação tão pacífica. Queria lágrimas e sangue. Acabar uma história destas, de anos, com um aperto de mãos não estava certo. Tinha de haver drama e tragédia, ou então sentiria-me insignificante, reduzida a uma coisa qualquer. Não podia ser. Voltei atrás, voltei a telefonar-lhe. E vi a minha vida a recuar anos luz. No dia seguinte já me via com ele de novo, já estava capaz de voltar à mesma história de sempre. Com a vantagem de que agora ele até me fazia as vontades. Ao segundo dia perdi o gás. Não vi melhorias, não vi o que queria. Ao terceiro perdi o interesse, já me era indiferente, se me ligasse ou não, se viesse ter comigo ou não. É que ao terceiro dia já não era ele que eu queria, era o outro. Ou seja, aqui a P só está contente quando tem o harém reunido a bajulá-la. Se falha um, o mundo acaba. Estou perdida.

domingo, 11 de novembro de 2007

Ponto final


Fui jantar com ele. Primeiro ir ser um lanche, depois passou para beber um copo antes do jantar e finalmente combinámos jantar. Estava mais virada pó lado do lanche, era uma coisa rápida, indolor, que não tinha razão para se alongar. Não demora mais do que 10/15 minutos a comer um bolo e beber um galão. No fim despejava o meu discurso e vinha embora. Limpo, sem peneirices, sem pieguices. Já um jantar era uma coisa mais elaborada. Tive de me vestir melhor, de me mascarar para me sentir por cima. Sou daquelas mulheres que sofrem do síndrome “quanto mais arranjada, mais segura”. Ontem tive de me pintar bastante e de calçar uns saltos altos. Só tinha de sobreviver ao jantar, de beber um copo de vinho de penalti e despejar “ouve lá, isto acabou, ouviste? não quero mais mensagens, nem telefonemas. já chega!” Até levei o carro para ter a fuga à mão. Pelo caminho imaginava o quão estranho ia ser. Afinal já não falávamos há quase dois meses, e nas vezes que falámos atirei-lhe umas quantas pedras à cabeça, fui mesmo má (não que não merecesse). É claro que não se passou nada do que eu imaginei. Caí-lhe nos braços e pedi perdão. Desculpa, não sabia o que estava a fazer. Não sei viver sem ti. És o meu sol, a minha lua, o meu mundo. Of course NOT. Quer dizer, também não foi bem como eu pensava. Momentos de silêncio incómodo? Nem um. Parecia que nos tínhamos encontrado ontem no café. Conversa, conversa. Rimos. Jantámos, bebemos sangria e rimos mais um bocadinho. E eu sem abrir a boca. Com o meu discurso ali preso na garganta, à espera da melhor oportunidade para acabar com aquela boa disposição. Sobremesa: mousse de chocolate. Demorei uns belos 15 minutos para a comer enquanto pensava “tem de ser agora, vá P, diz-lho agora”. E ele contava mais uma história e ria. Ria e eu enlouquecia. Mas será que não és capaz de abrir a boca? Será que não vais ser capaz de lhe dizer nada? Saímos do restaurante. "Vamos a um tasco beber um copo?", sugeriu. Vamos pois. Não vou para casa sem ter isto resolvido. Mais conversa no carro, mais uma história, e depois pergunta-me “queres mesmo acabar com tudo?” Quase suspiro de alívio. Sim, mesmo a sério. “Podias ter-mo dito por mensagem.” Já o tinha feito.
Já no café, na praia do Baleal, acusa-me de lhe tirar o seu único escape. Diz ele que me mandar mensagens o acalma. Valha-me santo Deus! O que é que estás para aí a dizer? Escape? Já me chamaram de tudo, agora de escape é a primeira vez. Não pode ser. Mande mensagens a outra qualquer. Não tenho de viver atormentada para o resto da vida porque isso o acalma. Saímos do café. Pronto, é mesmo hoje a última vez que me vês, a não ser que me encontres na rua, e se quiseres tens autorização para me dizer olá.

Voltei para casa relativamente serena. Meio arrependida por não ter falado grande coisa da sua vida dupla. Até queria chorar para dar o caso como encerrado e enterrado, mas estava seca, de olhos e boca abertos que nem um peixe, quase me deu para cantar as músicas do rádio. Quase a chegar, o telefone toca. Era ele. Já não me lembrava que tinha posto o Goodbye my lover do James Blunt como toque para quando me ligasse. Perguntou-me se já tinha chegado. Acusei-o de já estar a fazer tudo ao contrário. E depois o rancor que há em mim lá largou “ Quando chegares a casa vê bem porque é que isto acabou. Olha bem para o que tu escolheste.” Adeus.

sábado, 10 de novembro de 2007


for us to have THAT talk.

É que eu pensei que estava tudo bem, nos trinques. Só que quando corre uma coisa mal, o resto parece que tem prazer em a seguir pela encosta abaixo. Fico deprimida. E acabo por procurar mais sarna para me coçar. Parece que não fico contente com os meus problemitas do dia-a-dia. Não! Aqui a P tem de ter um drama valente, uma coisa a sério. Tem de arranjar motivo para chorar como uma maria madalena. Se não estiver à vista procuro-o. Não é nada difícil, é só ir à internet. Ver umas coisas, comparar datas e sentir-me enganada over and over again. O engraçado é que eu pensava que já nada daquilo me afectava, mas parece que afinal andava iludida. Em vez de me sentir calma e serena, o passado é passado, não!, senti o murro no estômago do costume. Não pode ser. Tem de acabar a sério, cara a cara. Já lá vai o tempo da brincadeira e dos jogos estúpidos e infantis. Não somos nós dois adultos? Não nos conhecemos já há anos? Está na altura da honestidade, por mais cruel que seja. Não posso fingir mais que sou muito forte, que não tenho nenhuma mossa no meu para-choques. Se for para chorar à frente dele, que chore, se for para gritar e o acusar, de fazer um escândalo daqueles em que fica toda a gente a olhar para nós, que seja. Mas isto tem de ficar resolvido. Já está na hora.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Confuso?


Sou uma insatisfeita. Sou. Quero tudo. E de uma vez. Se não mo dão, faço birra. Amuo. Mimada, podem-mo chamar. Devo ser.
O mais engraçado é que, mesmo quando não tenho o que quero, engano-me a mim própria, digo-me que assim é que está bem, que não podia querer mais porque estragava. Pois é claro que estragava. Não era aquilo que eu queria, era uma cópia barata porque o original já tinha esgotado na loja. Como um boneco que compramos no chinês. É igualzinho ao do anúncio da televisão, só que usa pilhas diferentes. É claro que estas pilhas gastam-se mais depressa, ou ainda são daquelas que rebentam e estragam o boneco por completo. Foi mais barato, é claro que foi mais barato. Mas, de um momento para o outro, foi-se. Morreu. Porque é que não comprei o original? Porque é que me contentei com o mais barato, com o de mais fácil acesso? O resultado só podia ser este.
Engano-me com o que tenho à mão, fecho os olhos aos defeitos. Ignoro as campainhas que tocam na minha cabeça em sinal de alarme. Deixo-me ir. Até ao dia em que bato de cara com o que mais me incomoda, até ao dia em que a pedra no sapato fura o calo e faz ferida. Largo tudo como se me queimasse, quero fugir dali para fora. Afinal de contas porque é que não tive o que queria logo de início? Porque é que nunca o pedi? Porque é que parece que isto se aplica a tudo o que corre mal na minha vida? É que mesmo que o que eu quisesse não fosse o indicado, ao menos ficava logo a saber, tirava logo daí o sentido. Mas assim fica sempre a dúvida. E se?


"Cá se vai andando com a cabeça entre as orelhas!"

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Elogios


Acordou-me às 6 e meia da manhã com um telefonema. Não estava no seu perfeito juízo, é claro. Notava-se pelo entusiasmo com que falava, pelo discurso repetitivo, pelas 100 vezes que disse o meu nome, primeiro e último, que me chamou 'esta gaja'. Noitada rija, já se estava a ver. Adivinhei porque me telefonava. Tinha-lhe enviado um email há dois dias. Nada de especial, uma resposta mais elaborada a uma pergunta que me tinha feito. Lá me devo ter excedido na honestidade, pensei eu. Vai dizer já que isto tá tudo acabado, que vou querer demais dele. Mas não ouvi nada disso. Pelo contrário. Elogios. Ouvi elogios. Sabes que escreves muito bem? Sabes que gosto mesmo muito daquilo que escreves? Escreves como eu. Este mail que me mandaste, eu era capaz de o assinar. Se fosse escrever um livro com alguém era contigo. E és engraçada. És tão engraçada. Fazes-me rir. E eu penso “porra, como é que ela o faz tão bem se só lê porcaria?”. Como é que uma hospedeira escreve tão bem? Sumo de laranja? Mais um croissant? E eles não sabem que és tu, que escreves tão bem. Como é que pode ser? Como, se só lês porcaria, livros da treta?
Ri com aqueles disparates todos, ri quando repetiu pela milésima vez o meu nome, quando disse mais uma vez “mais um croissant”, e depois comecei a ficar incomodada. Elogios? Mas que raio de elogios! Está a chamar-me bimba. Está a pôr-me na prateleira das meninas sem cabeça só porque sou hospedeira e porque uma vez por ano até leio um livro da Margarida Rebelo Pinto ou coisa parecida. Ouve lá. Só falta dizeres que me visto mal. Sabes que andei na universidade? Que até tirei o curso de jornalismo? Tive um professor muito bom chamado Carlos Pessoa que me ensinou muita coisa. E ele continuou. Mas é estranho, é tão estranho. Como é que consegues? E sabes que sou muito exigente com o que leio. Isto é mesmo o maior elogio que te posso dar.
Depois começou a conversa do cabrão profissional, como se auto-intitula. Sabes que eu criei estas defesas, que nunca me vou apaixonar, que tenho (pausou como se contasse pelos dedos) não sei quantas gajas. Por isso já sabes, quando encontrares outro homem de quem gostes agarra-o. E ele vai ter tanta sorte, nunca vai saber o valor que tu tens. Disse-lhe que era para o ano, que ia encontrar alguém certo para mim para o ano. Não! Nós ainda vamos andar juntos 8 anos, vais ver. Bolas, será que não me chega já uma história dessas. E se tivesse de fazer um top, tu estavas lá. E se tiver de ir a um jantar importante, é contigo que vou. És gira, todos gostam de ti. Caladinha, mas interessante. Etc., etc.. Fiquei sem sono para voltar a dormir
Olhem que bonito. Tanto elogio. Ou será conversa do bandido?

domingo, 4 de novembro de 2007

YUPI!!



E já que estou numa de citar frases de filmes, hoje revi a última parte de “O Amor não tira Férias” (que rico titulo lhe arranjaram em português). Lembro-me bem de o ter ido ver ao cinema quase obrigada pela Lu, que me dizia “tens de ser como a Iris”. É claro que tinha de ser como a Iris, a personagem da Kate Winslet. É claro que devia ter feito este discurso que cito há um tempo atrás. Não o fiz. Agora também não vale a pena, seria voltar atrás e desenterrar o morto para lhe dar mais uma pázada. Mas fica aqui. Na altura não me pareceu muito acertado, não fazia muito sentido, mas agora sim. Tenho uma vida para começar a viver!

Iris: Shush. You broke my heart. And you acted like somehow it was my fault, my misunderstanding, and I was too in love with you to ever be mad at you, so I just punished myself! For years! But you waltzing in here on my lovely Christmas holiday, and telling me that you don't want to lose me whilst you're about to get MARRIED, somehow newly entitles me to say, it's over. This - This twisted, toxic THING between us, is finally finished! I'm miraculously done being in love with you! Ha! I've got a life to start living.

in, The Holiday


Às vezes é preciso separarmo-nos mesmo das coisas para as conseguirmos ver como elas são. Cliché, mas verdade.

E é claro que ver o Jude Law não faz mal a ninguém. Abençoado seja.


Cá está. Mais uma vez roubou-me as palavras da boca. Esta Meredith do caneco!


Meredith: And it's not about the sex. It's not... about the sex. It's about that moment afterward... when the world stops. It just feels so safe, so safe. I'm not ready to give that up. I'm not ready to give that up.


In, Grey's Anatomy, s4, ep 6

sábado, 3 de novembro de 2007


Não há como negá-lo, onde nos entendemos melhor é na cama. Quando estamos a dormir...

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Assim não gosto


Está a ficar muito magrinho. Já não é o mesmo.

domingo, 28 de outubro de 2007

Segredo


Ele sempre se sentiu à vontade para falar dos seus casos, dos seus namoros, das suas aventuras, comigo ao lado, comigo a ouvir. Eu sempre me senti à vontade para lhe falar dos meus, para contar as últimas novidades do meu caso de anos, das minhas desventuras, das minhas conquistas. Talvez quisesse que soubesse que eu não vivia só por ele, que tivesse ciúmes até. E agora, que tudo isso acabou, que já não tenho ninguém, não lho consigo dizer. Não consigo dizer-lhe que estou sozinha, livre que nem um passarinho. Não consigo dizer-lhe que isso é mau, porque me faz ficar presa a ele, dependente como se fosse a minha tábua salvadora, que o torna na primeira pessoa em quem penso quando me sinto sozinha. É mau, porque se ele souber vai entender toda a minha boa vontade dos últimos tempos, vai pensar que me vou apaixonar por ele e vai acabar com o que está a correr tão bem. Digo-me que se isso acontecer não vai fazer uma grande mossa no meu viver, digo-me que nem vou chorar. Talvez sinta apenas falta de uma coisa ou de outra. Mas não quero que acabe porque está a correr bem.
Fico com o meu segredo.
Ou não?

Lua, lua

Ontem cheguei do trabalho bem cedo. Tão cedo, que na viagem para casa assisti ao nascer do sol e ao amanhecer. Mas a lua continuou lá. Acompanhou-me durante toda a viagem. E eu achei que lhe devia tirar umas fotografias. Enquanto ia a conduzir, com o telemóvel... Não sairam grande coisa, mas acho que pelo menos uma merece ser publicada.


É claro que à noite estava de volta, ainda na sua grandeza de lua cheia. E eu, armada em fotógrafa, fui para a janela do quarto tirar mais umas fotos.
Gosto da lua, fujo muitas vezes para lá quando vou no carro ao lado de alguém. De um alguém que conduz e não se cala, de alguém que me deixa nervosa, ou de alguém que me fez zangar, ou que me deixa sem palavras, ou alguém que me deixa sem saber o que fazer.


sábado, 27 de outubro de 2007

Se há vozes das quais gosto, uma é a deste senhor.
Quando o album saiu ouvia esta música pela letra e pelo significado. Agora só ouço pela voz do sr. dos One Republic. Tenho de ver se descubro como se chama. E nem é nada de se deitar fora...

terça-feira, 23 de outubro de 2007


Ainda nesse almoço, o meu amigo começou a contar a história de um pesadelo que envolvia uma quinta e uma namorada. Depois seguiu-se o encontro com uma ex-namorada que o beijou sem meias medidas. Veio ainda o nome de outra à baila e ele diz “essa também foi minha namorada”. E eu, sentadinha, quietinha ao seu lado, a bebericar a minha 7up e a fingir que estava tudo bem, que tudo tinha muita graça. E por dentro? Chamas que nem o Fido Dido era capaz de apagar. Ai ai que os ciúmes andam por aqui. Ciúmes que não podem existir, que não posso deixar crescer senão não penso em mais nada. Sim, porque o que há mais por estes lados é mulherio em cima do homem e ele não diz que não às ofertas. Tá-me cá a parecer que isto não vai correr bem. Para o meu lado.

Antes que haja confusões, este não é o amigo que me chama bailarina voadora, é outro. Ainda não inventei um nome para ele.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Homens!


Cenário: almoço no Pátio da Bagatela com um amigo meu e um amigo dele. Tinha ido buscar o meu amigo a casa e pelo caminho pusemos a conversa em dia. Até aí tudo bem, um cavalheiro. Mas quando nos juntámos ao seu amigo e os dois iniciaram uma conversa sobre filmes e programas de televisão choveram palavrões a torto e a direito. Ora eu pergunto “Porquê?”. Porque é que tem de sair uma asneira palavra sim, palavra não, quando dois homens se juntam?

Um aparte sobre este almoço: tive direito a conhecer o Zé Diogo Quintela, que é como quem diz, tivemos a conversa profunda do “olá, tudo bem?”, e ele desapareceu 5 minutos depois. Que maravilha.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Bailarina voadora

Tenho um amiguinho novo que me manda mensagens giras antes de adormecer, que me chama bailarina voadora. É um querido e mais um bocadinho apertava-lhe as bochechas e dizia-lhe bilu-bilu. A seu tempo até lhe podia dar uns beijinhos. O grande mal, o grande inconveniente é que a minha presença na sua vida era capaz de o desorientar, baralhar, deixar perdido, acabar com o seu mar calmo e trazer a tempestade da incerteza permanente sem nunca chegar a bom porto. Não pode ser. Não lhe vou fazer isso. Vai continuar a ser o meu amiguinho que me chama bailarina voadora e manda mensagens giras.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007


Cá está mais uma pérola dita na Anatomia de Grey:


The thing about addiction is that it never ends well. Because enventually whatever it is that was getting us high stops feeling good and starts to hurt.



Aquela Meredith diz umas coisas acertadas.


quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Cadê o H?

Se é coisa que me desilude é um homem não saber ser homem com H grande, ver aqueles que eu via como senhores, no alto do seu pedestal, cair lá de cima e estratelarem-se no chão tornando-se em miúdos chorões que caiem da bicicleta e arranham o joelho. O meu pai faz muito isto, faz-se senhor e miúdo passado uns segundos. Mas não é dele que vou escrever. Vou voltar ao capítulo do João, voltar a dizer como me desilude a cada dia que passa. Não pelas razões do costume. Não porque se esqueceu de mim, ou me ignorou na rua, ou não respondeu ao meu telefonema, ou faltou ao nosso encontro sem avisar, nem mesmo por ter preferido a namorada a mim durante estes anos todos. Desilude-me porque onde eu pensava haver um homem, já com 32 anos, não há mais nada que um cachopo. Um cachopo sem personalidade, sem atitudes próprias, sem vontades, sem capacidade de acção, de tomar uma decisão. Um miúdo que não faz nada para ter o que quer, que espera que as coisas lhe caiam do céu, que faz o que lhe mandam, e que, quando a vida não lhe corre como quer, amua, faz beicinho, faz-se de vítima da sociedade, culpa tudo e todos menos ele próprio. Esquece-se que é ele o responsável, que foi ele que não se mexeu, que não levantou um dedinho para alterar o rumo que a sua vida estava a tomar. E irrita-me. Irrita-me com as suas mensagens, com a sua atitude de coitadinho, apaga a imagem que tinha dele como um homem e deixa a de um ser sem espinha dorsal. E irrita-me! Irrita-me tanto que já nem respondo às suas provocações, como quando me acusa de falta de respeito por não lhe responder ao sms que mandou. E qual foi o sms que mandou?
“Bom dia. Posso telefonar-te hoje?”
Mas qual é o homem que pergunta se pode telefonar?! Se quer telefonar, telefona, arrisca! Quem é que pede ordem para telefonar a alguém?! Que idiota! Que idiota.

sábado, 6 de outubro de 2007

They're back!!

Já vi os dois primeiro episódios. Que maravilha!! Valeu a pena esperar só para ver estas cenas.
Se não quiserem estragar o momento de ver um episódio inteirinho sem saber como acaba não vejam este video. Se não aguentarem, deliciem-se com os melhores momentos do 1o episódio.


Ontem foi dia de casamento de um primo mais novo. Tive direito a momentos bons e momentos maus, com o tédio usual à mistura.

O bom foi :
  • ter o ego elevado pelos amigos do meu irmão, uma verdadeira legião de fãs;
  • um conhecido me ter dito que, apesar de não me ver há muito tempo, continuo no topo (da sua lista de beldades da terra, imagino)
  • beber uns belos litros de moscatel.

O mau foi :

  • perceber que não posso beber ou fico com vontade de fazer telefonemas idiotas, e entre beber e ter vontade de fazer telefonemas ou não beber, prefiro não beber;
  • perceber que estou a ficar velha e ver os pirralhos que me davam pontapés há uns anos feitos homens;
  • rever um dos meus melhores amigos, só conseguir dizer-lhe o impessoal "olá, tudo bem?" e finalmente aceitar que já era, que não vale a pena insistir naquela amizade;
  • voltar a casa com o nariz a pingar e a chocar uma constipação.

A foto é obra do meu irmão. Já com uns copos valentes, como se pode ver pelo enquadramento.



sexta-feira, 5 de outubro de 2007




Não foi lá grande coisa, o recínto era grande demais e dispersava as pessoas. Gosto de uma bela confusão e de um belo amassado de corpos. Para além disso as bebidas eram pagas, e caras, e só isso fez com que ficasse a anos luz da edição anterior no Santiago Alquimista. Quer dizer, a parte das bandas também se deteriorou. De Buraka passámos a Cool Hipnoise, mas podia ser pior.
Ficamos com fotos do que não vestir para ir a uma festa. Havia mais, mas não tinham boa qualidade.

Memories

Cheguei agora a casa do trabalho. Tive uma semana extenuante e posso dizer que me doi o corpo todo.
Enquanto conduzia de volta à terrinha para umas folgas merecidas, e tentava manter-me concentrada na estrada, uma música no rádio levou-me de volta ao carnaval de há 3 anos. Lembrei-me de um beijo roubado, contra uma parede num café escuro, apinhado e barulhento. O melhor de todos.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Hoje vou


Para levantar a moral, o espírito, o ânimo, o álcool no sangue, a adrenalina. Humm, quase parece o anúncio do leite. Faz bem ao coração...


Ando meio sem rumo e sem palavras. Salvam-me os amigos, que me tiram de casa, que me falam de coisas giras, que me perguntam "Estás feliz?" e me deixam sem resposta. Feliz? Não. Contente, resignada. Been here, done this. What's next?

domingo, 23 de setembro de 2007

Que bonitinhos

Tive de abandonar a noitada ontem graças às belas das sandálias que calcei e que quase me cortaram a circulação dos pés. (Desculpa priminha mais nova.)
No entanto, quando cheguei a casa tinha esta bela novidade à minha espera. Os meus meninos numa banda sonora internacional! Só por isso já vale a pena ir ver o filme.
Escusado será dizer que o meu lado pimba já me fez ouvir a música 10 vezes seguidas. Acho que até já a sei de cor. "You and me we can ride on a star, if you stay with me girl, we can rule the world!"

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Ando a ouvir esta música nos últimos dias. Muito gira. E não é que a miúda só tem 20 anos! Estou a ficar velha, caraças!

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Liga-me Nandinho


Tinha saudades dele. Não o posso negar. Como é que se corta uma pessoa de repente da nossa vida e nunca mais se pensa nela? Não dá, (excepto com choques no cérebro, como vi no outro dia no House, mas isso parecia-me um bocado extremo já que até a família esquecíamos). Por mais que queiramos vamo-nos lembrando dela em determinados momentos, com determinados cheiros, nos sítios por onde passámos, com um filme que vimos juntos, um prato num restaurante, uma simples expressão, um “ai é?”. Não dá para controlar. É só haver uma faísca para acender o rastilho e zás!, lá aparece uma memória reprimida em corrida descontrolada que nos invade a cabeça e com ela traz uma onda de saudade, que por vezes nos oprime o peito e deixa sem respiração.
Andava assim há alguns dias. Sem João a quem gritar, sem ninguém que me dissesse que gostava de mim, mesmo que eu respondesse com um “cala-te! Queres que te bata?”, sem mimos de qualquer espécie. Viessem de onde fosse. Não tinha sido eu quem decidira que a história com o Nandinho estava acabada? E se ele também não me procurava há quase um mês não devia dar mesmo o caso como encerrado? Não era isso mais do que um sinal? Então porque é que me apanhei a ouvir o programa dele na rádio só para ouvir a sua voz e perceber que continuava vivo e bem disposto? Só durante uns segundos e obrigava-me a mudar de estação. E se estava acabado porque é que volta e meia pensava telefona-me Nandinho, telefona-me Nandinho, como se a força da mente o fizesse fazê-lo? Não ficava eu irritada só de o ver ou quando alguém me falava dele? No entanto agarrava-me à minha máxima: eles telefonam sempre. Sabia que ele o ia fazer mais cedo ou mais tarde. Só esperava que não fosse para me convidar para alguma festa onde reunisse o seu harém e aparecesse com a conquista do momento. E continuei. Liga-me Nandinho, liga-me, liga-me, liga-me. Num dia pensava “hoje vai telefonar”, para depois passar para o “é amanhã de certeza”. No entretanto apaguei o número dele para não fazer nenhuma burrice, embora, confesse, penso já o saber de cor. Que culpa tenho eu se é daqueles fáceis de decorar?
Bem, isto tudo para dizer que já tinha saudades dele, que a falta de uma presença masculina para me atormentar a mente já me estava a deixar perdida e sem rumo. Para dizer que tanto pensava “mas eu nem gosto dele” como “aqueles abracinhos e beijinhos já eram bem vindos”. E todos os dias da última semana tive o debate interior do vou telefonar, não, não vou.


Hoje quando cheguei do trabalho, no pára-arranca da 2ª circular em dia de jogo no Sporting, deixei-me ouvi-lo. Foi o 'pronto! Ouve-o lá! Pode ser que assim te passe a loucura temporária.' Mas não passou. Cheguei a casa com o 'liga-me Nandinho' na cabeça. Olhei para o telefone à hora em que ele normalmente chega a casa do trabalho. Liga-me. A hora passou, desisti. Voltei ao de amanhã não passa. Jantei, fui dormir e perto das 3 da manhã acordei sem saber porquê. Olhei para o telefone para ver as horas e vi que tinha recebido uma mensagem há dois minutos. “Acordada? “, perguntava ele. Se não estava, fiquei. Despertei como se tivesse dormido uma noite inteirinha. E posso dizer que nos 27 minutos em que falámos ao telefone e em que eu ainda consegui recusar-lhe a vinda cá a casa àquela hora, estive sempre a rir. Tinha saudades deste parvinho, confesso que tinha.

domingo, 16 de setembro de 2007

E voltando ainda ao homem da minha vida, deixem-me dizer que isto me irrita, porque era eu ainda uma miúda quando me enganou com as suas falinhas mansas e com as cantigas de engate. Ainda nem arranjava as sobrancelhas! Deixou-me a pensar que podia ser meu, que estava ao alcance, e pior, agarrou-me! Como se me conhecesse a vida toda. Não estou a mentir. Tenho aqui a prova! Devia ser processado por corromper menores!



Ódio?


À Aurora Aboim


Ódio por ele? Não... Se o amei tanto,
Se tanto bem lhe quis no meu passado,
Se o encontrei depois de o ter sonhado,
Se à vida assim roubei todo o encanto...


Que importa se mentiu? E se hoje o pranto
Turva o meu triste olhar, marmorizado,
Olhar de monja, trágico, gelado
Como um soturno e enorme Campo Santo!


Ah! nunca mais amá-lo é já bastante!
Quero senti-lo doutra, bem distante,
Como se fora meu, calma e serena!


Ódio seria em mim saudade infinda,
Mágoa de o ter perdido, amor ainda.
Ódio por ele? Não... não vale a pena...


por Florbela Espanca


Sempre gostei deste poema. Quando o li pela a primeira vez já dizia tudo o que me passava pela cabeça, e durante estes anos todos acompanhou-me colado nalguma parede do meu quarto. Era como um lema de vida, um objectivo. Quero fazer isto. Quero sentir isto. Mas nunca cheguei lá. Fiquei pelo triste olhar e pouco mais. Ódio também não tinha, mas isso não me ajudou em nada. Pois agora odeio! E mesmo que não ache saudável sentir estas coisas más, odiá-lo permite-me gritar, bater-lhe se o encontrar na rua e exorcizá-lo de uma vez da minha vida.

Isto irrita-me!



O homem da minha vida, aquele por quem deixava tudo. Que até me podia dar os filhos louros que eu queria! Aqui com outra, com a família feliz! Isto não se faz! Não se faz!

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Que nervos!!!


Confesso, confesso aqui, que tenho cedido. Ele insiste, e insiste, e insiste, e eu, vencida pelo cansaço, lá respondo. “Está bem. Podes cá vir amanhã.” É claro que, embora derrotada, ainda consigo ter uns rasgos de lucidez e estabelecer umas condições. Sei que ele não é capaz de as cumprir e por isso condenam logo o possível encontro. Tens de me vir buscar a casa. Podes ir comigo ao dentista. Vamos ao cinema. Levas-me ao café. Podes cá vir dormir. E agora vocês dizem, “mas P, isso são coisas tão normais, como é que ele não as consegue fazer?”. Por duas simples razões:
  • Tem medo que se pela, que alguém nos veja juntos.
  • Esquece-se de muitas coisas.
  • Não consegue inventar nenhuma desculpa para a sua senhora que explique o facto de dormir fora de casa.

Oops, já são três razões, e se calhar conseguia encontrar muitas mais, tais como “é idiota, e nem merece que ainda fale com ele”. E é isto que penso sempre que falha. Porque falha em todas, como se fizesse de propósito, e deixa-me quase no chão. Ou não aparece, ou diz que está atrasado porque foi fazer alguma coisa sem interesse nenhum à hora que tínhamos combinado, ou diz que já liga para combinar e depois só reaparece no dia seguinte como se nem tivesse falado comigo no dia anterior com a mesma conversa “posso ir ter contigo”. E eu grito NÃO! já farta daquilo tudo. Mas o que é isto? Tortura? Quer moldar-me à sua vontade? Como eu quero não pode ser, só como ele quer? Não me parece que seja assim. Já lá vai o tempo em que me deitava para que ele passasse por cima. E ele nem imagina que estas suas falhas só o prejudicam, que eu suspiro de alívio sempre que ele não aparece, que me tira um peso de cima só por saber que não vou ter de o ver. Só o ego é que fica em baixo, porque nesta altura pensava que era eu que podia mandar na sua vida, que bastava chamar para ele vir a correr. Afinal continua tudo igual.


Estava a deixar um comentário num dos blogs aqui ao lado, quando me de repente me apanho a escrever uma frasesinha que sem querer fez todo o sentido para mim. Já devo ter lido sobre isto em algum lado, deve até haver um ditado popular sobre o assunto, ou uma história da carochinha, mas o certo é que, no momento, foi como se tivesse feito luz no meu cérebro e tivesse descoberto a cura para a sida. E que frase foi essa? Que pérola saiu destes rios de areia?

Talvez a beleza das pessoas esteja nos olhos de quem as vê, e não na pessoa em si.

Cá está a última verdade do universo. Como negá-lo? Como refutá-lo? Não se diz já que o amor é cego? Não nos apanhámos já a dizer “não sei como é que ela gosta dele, é horroroso”. É que mesmo a pessoa mais estúpida e idiota tem alguém que gosta dela e a acha a mais bonita do mundo. Perguntem às mulheres do Bin Laden o que pensam dele e devem ter resposta como “ui, aquela barba é um sonho, aqueles olhos são tão lindos.”
Porque quando estamos de fora e não conhecemos, vemos um todo, um corpo, uma roupa, uma cara diferente. Mais perto vemos um gesto, um sorriso. Com uma lupa vemos um sinalzinho giro, uma covinha na cara, uma palavra sempre disponível, uma mão sempre estendida. E aí achamos que é a pessoa mais bonita do mundo. Mas a pessoa, o ser em si é sempre o mesmo. Pode até ser pior cás cobras para o resto do mundo. Para nós é o mister universo.
Isto também tem a ver com amigos, não é só com amores. Quantas vezes saltamos em defesa de alguém que nos é querido, e ficamos ao seu lado com unhas e dentes, se algum espertinho se lembra de dizer mal dele à nossa frente, mesmo que nos diga que lhe bateu, que o roubou? Não nos saímos logo com um "devias estar a merecer" ou "se calhar precisava, coitado"?
Conhecer uma pessoa e gostar dela, mesmo nos seus defeitos, é ficar enfeitiçado. Até que o feitiço se quebre... Às vezes temos de lavar os olhos mais vezes, ou fazer consultas no oftamologista mais frequentemente.

Acordei cedo demais. A cabeça ainda não está a 100% e deu-me para isto. Divagar logo pela manhã...

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Audrey Hepburn


Queria ser como ela.

No estilo, na forma calma de falar, no olhar profundo, na elegância... Só não digo no estilo de vida, porque não conheço a história da senhora, excepto os filmes que fez, mas parece-me que o glamour de Hollywood da época não era mau de todo.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Lady no campo


Depois do lanche lembrámo-nos de ir apanhar figos. E eu de sandálias de corda brancas. Impediu-me de sair do carro e ir para o meio das silvas? Claro que não. Fui. Com o saquinho da Calzedonia na mão, decidida a trazê-lo cheio de figuinhos para a minha mamã papar. As primas recusaram-se a enfrentar a selva de silvas e ervas secas e foram à volta, mas eu não. Se quando era miúda andava por ali toda arranhada, hoje também haveria de andar! Comi amoras e tudo, das silvas que se infiltravam nas figueiras. Figos maduros é que não havia. Algum vizinho se adiantou a nós e fez uma limpeza. Só consegui meio saco, uma mordida no pé, imagino que de uma pulga do mato, e mil carrapatos na roupa e no cabelo. Já nem me lembrava que os carrapatos existiam!! Fica a foto como prova.

Casaco = Homem


Fui lanchar com as primas do coração a Alcobaça. Acho que nos devíamos chamar as 3 mosqueteiras, mas isto é um aparte.
Pelo caminho acabámos a falar em compras, roupa, colecção nova, e a prima M conta:
- No outro dia fui à Pull e vi lá um casaco e pensei “é mesmo giro, mas ainda está tanto calor que não vou levar”. Depois fui lá para o comprar e já não tinham o S, só havia o M, e o M fica mais largo, não assenta tao bem.
Mal ouvi isto disse:
- É a história da minha vida.
E é mesmo. Não podia haver uma analogia melhor. Não compro o S quando o vejo, porque acho que ainda está calor, porque ainda não preciso dele. Mas quando o frio aperta e vou à procura, já só há Ms. E os Ms ficam mal, têm de ser apertados e ajustados, e às vezes o trabalho não compensa o preço. É ou não é verdade?

domingo, 9 de setembro de 2007

Sonhos


Sonho muito, penso que todas as noites. E, na maior parte das vezes, se não tiver de saltar da cama para ir trabalhar e puder ficar na ronha mais um bocadinho, consigo lembrar-me de quase tudo. Já tive sonhos de quase todos os tipos, desde aqueles angustiantes, que me fazem acordar com o peito apertado e a rezar aos deuses do Olimpo para que aquilo nunca aconteça, até uns tão engraçados que me fizeram acordar com as minhas próprias gargalhadas. Depois há aqueles que todos temos, que nos fazem desejar não acordar, voltar a adormecer e continuar o sonho exactamente onde tinha ficado. O Bruce Willis já me apareceu num destes e o Marcelo Anthony também, aquele actor brasileiro espadaúdo, e posso dizer que fiquei mesmo muito triste por ter despertado, mesmo que tivesse o melhor dos dias à minha espera. Há ainda aqueles sonhos que funcionam como prenuncio da realidade, e destes posso dizer que tenho muitos e que me deixam sempre pensativa. O meu subconsciente tem esta forma de me avisar. “Se continuares assim é isto que te vai acontecer!” E passo o dia inteiro com aquilo na cabeça, soturna, melancólica, indecisa. Ontem tive um, hoje outro. Com pessoas diferentes e histórias separadas, embora semelhantes. Só a minha reacção mudava. Num dos sonhos irritava-me, aborrecia-me, queria bater em alguém. No outro não queria saber. É assim a minha vida. Como os sonhos. Por um lado incomoda-me, no outro deixo andar. Até que este outro me comece a incomodar também. Mas aí ainda não chegámos, nem sonhei com a situação.

sábado, 8 de setembro de 2007

Está quase!!

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Hoje ODEIO-O!!!

segunda-feira, 3 de setembro de 2007


Ontem fui à feira da cebola em Rio Maior. Já não ia há alguns anos e lembrava-me dela como um grande evento, mil carrósseis, pipocas, algodão doce, farturas, maçãs do amor, invenções malucas, a barraquinha do Malibu, aqueles carros dos leilões ambulantes, móveis, sofás, havia de tudo. Mas ontem deparei com uma realidade muito diferente. As barracas onde se comia frango assado e outras coisas passaram para restaurantes improvisados no pavilhão multi-usos. Carrósseis, só havia os carrinhos de choque e outro para as criancinhas. Nada de canguru, nem de máquina de lavar, nem os barquinhos pós meninos. Uma feira muito triste.
Por entre estas constatações lembrei-me que, quando era pequena, a barraca que me impressionava mais e prendia a minha atenção era a dos chineses. Eram mil relógios cheios de botões, bonecos com luzes, calculadoras. Ficava maravilhada com aquilo tudo. Mal eu sabia que dali a uns anos ia ficar farta de ver aquelas coisas nas milhentas lojas que existem por km2, das quais até me desvio.

Hoje acordei do meu sono de bela adormecida com o telefone a tocar:
- Posso ir ter contigo?
- Não.
- Porquê?
- Porque não.
- Está bem. - disse como um menino que baixa a cabeça quando o castigam ou mandam fazer alguma coisa que não quer.
Estou quase lá.

domingo, 2 de setembro de 2007

Starting Now




Ingrid Michaelson

Letra

E para quem não acredita, esta é a música que ando a cantarolar no carro nestes dias:

I want to crawl back inside my mother's womb
I want to shut out all the lights in this room
I want to start fresh, like a baby in a sink
Scrub away all these thoughts that i think of you
So life moves slowly when you're waiting for it to boil
Feel like i watch from 6 feet under the soil
Still want to hold you and kiss behind your ears
But i re count the countless tears that i lost for you

But before you finally go
there's one thing you should know:
That I promise -

Starting now I'll never know your name
Starting now I'll never feel the same
Starting now I wish you never came into my world.

I want to crawl back inside my bed of sin
I want to burn the sheets that smell like your skin
Instead I'll wash them just like kitchen rags with stains
Spinning away every piece that remains of you.

But before you finally go
there's one thing you should know:
That I promise -

Starting now I'll never know your name

Starting now I'll never feel the same
Starting now I wish you never came into my world.

It's my world, it's not ours anymore
It's my world, it's not ours anymore

Starting now I'll never know your name
Starting now I'll never feel the same
Starting now I wish you never came into my world.



By Ingrid Michaelson


Descobri a Ingrid na banda sonora da Anatomia de Grey e aconselho. Muito bom, o album Girls & Boys.

Caramba!

Acabar com duas histórias ao mesmo tempo é dose! Não é de admirar que ontem, em vez de ir sair, tivesse ficado em casa a dormir. Talvez fosse medo de encontrar quem não queria. Não é de admirar que ande mal disposta, irritadiça, com cara de poucos amigos, com vontade de gritar a quem me aborrece. Até no trabalho me dizem que ando a reclamar muito, eu, que sou a paz em pessoa quando se trata a sorrir a passageiros parvos e desordeiros e a pessoas idiotas.
Aquele ultimo post sobre uma boa fase já era. Tive medo de o escrever e de o publicar, tenho sempre medo de dizer que estou contente com alguma coisa, porque sempre que o faço essa coisa acaba, evapora-se, transforma-se no lobo mau ou num dos monstros do Dragon Ball. (Há lá monstros não há? Pelo menos os bonecos são todos feios.). Neste caso evaporou-se. À conversa com amigas (sim, vocês duas), lá levei com mais umas doses da realidade na cara. Não menti em nada, quando disse saber da vida indecente do Nandinho. Não é que ele me conte mesmo tudo, mas na verdade, o que sei, prefiro ignorar. Prefiro pensar que sou a rainha da cocada preta quando estou com ele, mesmo que nem goste de coco. Mas é claro que depois de ouvir algumas histórias a coroa me parece pesada demais e já não me apetece usá-la de novo. Fico mal disposta da barriga só de pensar nele.
Com o João, a história repete-se. O difícil está a ser fazê-lo parar de me telefonar e mandar mensagens idiotas. Por mais que lhe diga que não me vai ver mais, que é um estúpido, que já não gosto dele, continua a insistir. Sei que pensa que mais tarde ou mais cedo vou ceder, como fiz tantas outras vezes. Mas nas outras vezes não tinha atingido o limite, gostava que me perseguisse. Agora não. JÁ CHEGA!
Para fugir a isto tudo até já penso em emigrar. Eu, que não me vejo 15 dias fora de casa
!

sábado, 1 de setembro de 2007

Obrigada a todos

OK pessoal! Muito obrigada por todas essas chamadas à razão. Estão certos - não que isto fosse algo que eu não soubesse, mas quando são 4 ou 5 pessoas a mo dizerem no mesmo dia bate com mais força. Wake up call!
Informo então que me vou tratar a partir de hoje e que na 2a-feira marco consulta no psicólogo. (Ou será melhor psiquiatra?) Tenho cá muita coisa guardada nesta cabecinha, que não é loira, que precisa ser revista e analisada. É que nunca pensei chegar ao ponto de desejar não ter vivido certas coisas e agora estou quase lá...

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Boa fase


No outro dia fui à praia com a M. Na altura em que ela se afastou para falar com a prima que também lá estava, o Nandinho ligou. Quando voltou eu ainda estava com o sorriso colado à cara causado pela história das lentes de contacto verdes que ele me contara à segundos. Perante a minha cara perguntou-me com quem tinha estado a falar. Com o Nandinho, respondi-lhe. “E como vai essa história?” Vai bem, estamos numa boa fase. Disse-o na altura sem pensar, da boca para fora, mas depois que reflecti sobre o assunto percebi que não podia ter dito uma coisa mais acertada. Temos convivido pacificamente, apreciado a companhia um do outro. Num dia pode empurrar-me para a cama e rasgar-me a roupa, no outro estar calmamente ao meu lado sem me tocar. Pergunta-me se tenho estado com o “jagunço” fingindo uma pontada de ciúmes e eu minto, digo que não, para não o perturbar. Brinco e digo-lhe que quando me casar ele tem de ir ler à igreja, como fez para os amigos. Ele responde que pensa que nunca vai casar. Continuamos a conversar e sai um “queria ter um filho”. Lembro-me de o ter dito no nosso 1º encontro. Quando lhe ligo ele responde, já não me deixa pendurada durante dias. É certo que está de férias e não tem tanta coisa para fazer, tanta distracção, e pode ser que quando voltar ao trabalho se volte a distanciar, mas no momento estamos numa boa fase. Quase que posso dizer que somos amigos.

domingo, 26 de agosto de 2007

Vaidosices


Quando comecei a sair à noite, por volta dos 17/18 anos (nada como as miúdas de agora que aos 15 já estão na discoteca até às 5 da matina), demorava horas a arranjar-me, a maquilhar-me, a pintar as unhas da cor da camisola que ia vestir, a tentar domar o meu cabelo, que na altura era muito encaracolado, e, segundo consta, era olhada de lado por isso. Se estivesse no Porto, onde as mulheres se produzem a sério quando saem à noite, passava despercebida, mas ali, na santa terrinha, aquilo era sinal de vaidade, de exibicionismo. Não sei porquê. Ao olhar para as fotografias da altura até acho que estava simpleszinha, usava roupa do mais normal que havia, sempre calças e camisolas, no verão lá ia um vestinho de vez em quando porque odiava as minhas pernas, os meus canivetes como o meu pai as chama, mas compensava com a barriga que estava sempre à mostra. Com o tempo fui mudando. Ainda me arranjo bastante para sair, mas se me apetece ir de chinelos e cara lavada vou, não faço disso uma tragédia. Se quando era mais nova me maquilhava sempre que saía de casa e pintava as unhas todos os dias, agora dou graças aos deuses do Olimpo nos dias em que não tenho de o fazer. Uma coisa é gostar, a outra é ser obrigada. Desde que o trabalho que forçou a ter de fazer essas coisas, que perdeu a graça inventar formas para pintar os olhos, misturar sombras, pintar-me toda de uma certa forma só para ver como ficava e depois lavar a cara e ir dormir. Troquei os saltos pelas sapatilhas e pelos chinelos de enfiar no dedo, deixei de esticar o cabelo e deixei que o ondulado reaparecesse, solto e rebelde ou apanhado num rabo de cavalo. As calças vincadas que não largava passaram a calças de ganga, os tops que mostravam a barriga a camisolas à grávida. De mais ou menos sofisticada passei a descontraída.
Mas ela não, ela não desceu do salto. Cruzei-me com ela na esteticista no outro dia e partilhámos um “bom dia” educado. Comecei logo a tremer e escondi-me atrás de um expositor da Clinique onde fingi ver os batons. Só pensava “se ela sabe que estive com ele ontem, se ela imagina que ele ainda agora me telefonou, mata-me! Vai chegar ao pé de mim e dar-me uma bofetada, vai puxar-me o cabelo e dar-me pontapés, vai chamar-me nomes, gritar para toda a gente ouvir. E eu não vou fazer nada, vou encolher-me e esperar que passe. Ela tem razão: eu sou a culpada.” Pensava nisto, imaginava o filme e olhava para ela pelo canto do olho – as sandálias de plataforma, a camisola de marca, o penteado da moda, a cara perfeitamente maquilhada com uma sombra escura nos olhos como sempre – e olhava para mim, vestida como se fosse para a praia, com um par de havaianas nos pés, o cabelo despenteado, as olheiras de quem dormiu mal. Faltou pouco para me sentar num canto e me encolher, enroladinha para que não me visse. O que vale é que ainda tenho alguma coragem e cara de pau que me deixou andar ali, de olhar perdido e nariz empinado. Nesse dia tive pena de não ser tão vaidosa como há alguns anos. Podia estar melhor arranjada, caramba!

sábado, 18 de agosto de 2007


Numa semana de férias, de FÉRIAS, em que devia andar calma e sossegada, a aproveitar o tempo livre, despreocupada, zen, caiu-me mais cabelo do que em 2 meses de trabalho. (Sim, porque o cabelo cai-me quando ando nervosa, ou ansiosa). Parece que passei por aquelas fases de qualquer coisa de (que agora não me lembro, mas vi num episódio do House): negação, qualquer coisa, raiva, qualquer coisa, aceitação. Se alguém souber do que estou a falar, por favor, esclareça-me.
Comecei as minhas férias apaixonada, eludida, via florzinhas em tudo, pensei que finalmente ia resolver a minha vida. Isto no dia 1, mal cheguei do trabalho. No dia 2 as coisas já não me pareciam tão bem, fiquei ansiosa. Afinal porque é que não acontecia nada, se me tinha preparado para o grande 'bam' da minha vida? No 3º dia culpei-me. A culpa era minha, fui eu que fiz tudo mal. Porque é que tinha sido tão bruta? Porque é que não fui boazinha? No 4º dia estive deprimida, muito deprimida. No dia 5 acendeu-se uma luz, uma réstia de esperança, que morreu no mesmo dia, no espaço de horas. Depois veio a raiva, o ódio, a vontade de bater numa certa pessoa até me doerem os pulsos. O que vale é que neste dia fui abençoada com uma presença amorosa, que me mimou, e mimou, e fez com que pusesse em segundo plano todos aqueles sentimentos maus que passaram por mim. Fiquei dona de mim mais uma vez, voltei a subir no salto. Ainda tenho 3 dias de férias. Vamos ver como esses correm.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Copos

Vê-se mesmo que ando a beber demais nos últimos tempos. Chego a casa depois de uma noitada e escrevo aqui coisas tão estúpidas, das quais me envergonho tanto, que mal acordo só penso "não podes deixar aquilo à vista de ninguém, era um delírio, tu não pensas assim". E zás, ligo o computador e apago um post inteirinho. Só espero que ninguém tenha lido. Se leram, por favor, façam de conta que não e nem mo mencionem.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Desafio


Ora bem, já me propuseram dois desafios, e não fui capaz de responder a nenhum. Vou fazer um esforçozito agora para estar à altura do último, sugerido pela Pão com Tulicreme em que devo escrever 7 factos casuais sobre a minha vida. Ora bem, 7 factos sobre mim não deve ser assim tão difícil, por isso cá vai:

1.Odeio acordar ao som do despertador, ou de qualquer outra forma que não seja o meu despertar natural.
2.Adoro a minha mãe, mas nunca lho disse.
3.Distraio-me muitas vezes com a mãe Natureza.
4.Quando estou triste, gosto de me enfiar no carro e chorar enquanto conduzo e canto (berro) alguma música lamechas que esteja a ouvir.
5.Não tenho vergonha de dizer que de dois em dois anos me dá para ouvir a Romântica FM durante uns dias.
6.Alguém me dê uma televisão com canais por cabo e sou capaz de hibernar durante dias.
7.Como todas as porcarias que me põe à frente: chocolates e gomas, rissóis e croquetes, hamburgers e batatas fritas, amendoins, tremoços, cajus, bolos de pastelaria, etc. etc. Depois queixo-me da celulite e que as calças não me servem.

Não vou indicar ninguém para fazer este desafio, estão convidados todos os leitores deste blog que estejam interessados.

domingo, 12 de agosto de 2007

Às 6 da manhã


Por mais que não queira, uma lady tem de se rir quando ouve um menino da idade do seu irmão mais novo, no auge na sua bebedeira, dizer-lhe que está completamente apaixonado por ela, que nem dorme só a pensar num encontro com ela, que lhe diz que é a mulher mais linda do mundo, que a sua noite ficou melhor só por tê-la visto e que deixa escapar um amo-te quando se despedem. Está louco. Se ele soubesse no que se metia...

Para ler

Mulheres de 30, ou lá perto. Aconselho o texto postado no blog da Clara, Vida no Rascunho, (link aqui ao lado) no dia 10. Gostei.

"Postado" existe? Tá-me cá a parecer que já ando a inventar palavras.

sábado, 11 de agosto de 2007


A mulher é um ser complexo, ninguém o nega. Reclama sempre de alguma coisa, nunca está satisfeita. Se não é a vida amorosa, é a profissional, se não é a profissional, é a familiar, são os amigos, é o Bobi que rói os sapatos, etc., etc.. Há sempre alguma coisa que não está certa, que devia ser emendada, alguma coisa que a faça gritar de impaciência, que lhe faça saltar tampa, mesmo que seja o Dalai Lama feminino. Uma vez que começa nunca mais pára. Fica tudo errado. É o talher sujo no restaurante, é a criancinha chorona no supermercado, é o carro que vai a 50km/h à sua frente, é a maçã madura de mais, é a mãe que não fez o que ela queria comer ao almoço, é a roupa que fica mal, é o tempo que não melhora, é o vizinho que está a assar sardinhas no quintal e ela odeia sardinhas, é o saldo da conta bancária, é a internet lenta, é o telefone que não toca... Reclama porque se esquece que tem boas razões para ser feliz, porque só se lembra daquela que a faz infeliz, aquela falha na sua vida que não a abandona. Porque num dia tem toda a atenção do mundo e sente-se deusa, parece que todos gostam dela, que a atenção do mundo está sobre ela, é bajulada, elogiada, apreciada, e ela do alto do seu trono comanda, rebaixa aqueles que lhe parecem inferiores. Manda-os para o campo trabalhar, quer que lhe beijem os pés, mas não quer ser babada. Pensa que comanda a vida daqueles que a adoram, que fariam tudo o que lhes pedisse, então trata-os mal, faz-lhes testes de boa vontade, manda-os ao fim do mundo para buscar o mel das grutas encantadas e eles vão. Ela, ainda insatisfeita, nem agradece, vira-lhes as costa e diz que não chega, que ainda têm de ir ao inferno buscar a pedra mais bela do universo, e eles vão. Vão e perdem-se pelo caminho, encontram uma deusa menor, mas muito mais simples, que fica contente apenas com a sua presença, que não lhes pede o impossível, que até lhes passa a mão pelo cabelo e faz festas, que os beija na boca como retribuição ao beijo nos pés, constrói-lhes um trono e deixa que governem com ela. Eles ficam, rapidamente esquecem a tarefa que lhes tinha sido imposta, esquecem a outra deusa, aquela que adoravam mais do que a vida, e são felizes. A outra deusa fica só, espera impaciente pelo regresso dos seus súbditos, acha-se tão poderosa que acredita que eles vão voltar mais tarde ou mais cedo, que vão voltar a beijar-lhe os pés. Arranja-se todos os dias majestosamente para que a vejam no seu esplendor, começa a pensar nas recompensas, que se calhar desta vez vai deixar que lhe beijem a mão. Mas eles não voltam e ela vai definhando, vai envelhecendo, vai perdendo o encanto que os prendia, vai recusando novos súbditos porque aqueles eram os melhores, insubstituíveis, e começa a reclamar, do talher sujo no restaurante, da criancinha chorona... Vai começando a pensar que se calhar devia ter ajudado na procura da pedra preciosa, que os devia ter acompanhado na ida ao inferno.


Ok, confesso que hoje não é um dia bom. Estou um bocado em baixo. Mas! Tenho esperança! Vai melhorar! Amanhã serei outra. Ah! E já lavei o carro!

Sol encoberto


Acordei cedo hoje e pensei "vou para a piscina apanhar sol, ler um livrinho e ouvir música gira no meu mp3. Não vai estar lá ninguém, vai ser só eu e o sol." Mas o sol falhou ao nosso encontro. Está cinzento, está fresco. Arrepio-me só de pensar em vestir o biquini. Fiquei desarmada, desamparada. E agora? O que vou fazer? Lavar o carro? Varrer o quarto? Tenho de me ocupar, não me posso deixar cair só porque me puxaram o tapete. Tenho de me equilibrar, um pé no ar, os braços estendidos ao largo, como fazem os equilibristas quando andam na corda bamba, abano um bocado tal bandeira ao vento e volto a colocar o pé no chão, inteira, sem partir nenhum bocadinho. Só tenho de encontrar alguma coisa para fazer, que me distraia, que me ocupe, que não me deixe pensar em mim. Caramba! Estou farta disto! Talvez deva juntar-me ao circo e oferecer os meus serviços de palhaça.

Esta fotografia não é a vista da minha casa. Quem me dera! Tirei no Brasil, no ano passado. Este dia estava parecido com o que vi ainda agora quando olhei pela janela. Só que lá choveu. Aqui, felizmente, ainda não e parece improvável.

domingo, 5 de agosto de 2007

Incapazes


Num instante fico triste, no outro deprimida, passo a irritada, louca, rio comigo mesma, sou cabra e rainha do nada. Viro-me de costas para ele e tento reprimir uma lágrima, no segundo seguinte volto-me de frente e subo um pouco o vestido para que possa ver mais um pouquinho de mim, um pouquinho que lhe recuso, que lhe nego. Brinco com ele, com nós dois, e não sei como não reclama. Não diz nada. Suspira, rói as unhas, bate com a mão na perna repetidamente, segura a cabeça com uma mão como se fosse muito pesada. Mas não me diz nada, não me grita “BASTA, Já chega!” Não me dá um abanão para me pôr no meu lugar. Limita-se a ficar ao meu lado, calado, à espera que eu inicie mais um discurso louco e sem sentido. E irrita-me mais um bocadinho. Apetece-me ser eu a abaná-lo, esbofeteá-lo para que tenha alguma reacção. Então vira-se para mim como se me pudesse dar o mundo, como se eu fosse a detentora do segredo da felicidade, e pergunta se gosto dele, se gosto mesmo dele. Podia perguntar-me a cor das cuecas do Bush que ia saber responder, mas esta é a única pergunta para que não tenho resposta. Uns dias sim, outros não, como vou saber. Como se mede o gostar de alguém? Como se sabe se é para a vida toda? Como se arrisca em acreditar numa coisa tão frágil, que desaparece quando menos esperamos? Não respondo. Transfiro para ele a responsabilidade do erro que seria se um dia acabássemos juntos. É um salto para o desconhecido. Pode ser que tenha rede de protecção, pode ser que seja um desfiladeiro, pode ser um campo de algodão doce. Como saber? Tem de se saltar. Mas vai ter de ser ele o primeiro. Depois talvez o siga. Caramba! Porque é que nenhum dos dois é capaz de dar um fim nisto?!

;;