quarta-feira, 11 de julho de 2007

Romeu e Julieta?


Pergunto-me se alguma vez serei capaz de viver um grande amor, de sentir um grande amor, daqueles em que se dá a vida por ele, em que se esquece quem somos, de onde vimos, que nos faz deixar tudo o que amamos para trás, todo o nosso passado, e saímos só com a roupa do corpo, apagamo-nos e passamos a viver em função do outro, em função dos dois. Um amor que faz enfrentar tempestades, o desconhecido, o medo de acabar. Esse amor existe? Sem reservas, sem dúvidas? Ou é fruto da literatura, do cinema, da imaginação de muito boa gente que quis brincar com a cabeça das pessoas e dar-lhes algo com que pudessem sonhar, mas nunca alcançar? É que na vida real, o amor é feito de sacrifícios, de muita lágrima derramada, não existe aquilo do “never look back” e do “let's jump over the bridge together”. Pelo menos não conheço amores desses que eliminam toda uma existência. Alguém conhece?

segunda-feira, 9 de julho de 2007

As coisas que esta gente inventa. Vejam. Vale a pena. Roubou-me umas belas gargalhadas. Jack!!!

domingo, 8 de julho de 2007


Os meus tios convidaram e eu lá fui. Assistir a um evento mundial, ter uma história para contar aos meus netos. “Sabem meus lindos, quando eu era nova fui assistir à revelação das 7 maravilhas do mundo no estádio da Luz, vi a Jennifer Lopez, que era uma cantora famosa no meu tempo e a Hilary Swank, aquela actriz velhinha que aparece nos filmes. Eu estive lá.”
Estive, fiz parte do evento. Bati palmas quando ninguém batia, acendi e apaguei a luzinha que me deram à entrada e senti orgulho do meu país. Digam o mal que disserem, os portugueses têm orgulho no seu país. Sim, o governo é uma porcaria, o país uma desordem, o poder económico só diminui. Mas temos orgulho. Não posso negar que não me tenha vindo uma lágrima ou duas aos olhos, durante o evento, sempre que salientaram os grandes feitos dos portugueses, (quase todos da época dos descobrimentos, mas isso é outra história). O mesmo já tinha acontecido durante o campeonato do mundo sempre que ouvia a música “joga mais, corre mais, menos ais, menos ais, menos ais, quero muito mais”. Não sei o que passa comigo e com a cena do país para me emocionar tanto quando vejo estas demonstrações de orgulho nacional colectivo. Mas se me orgulho, também tenho vergonha. E esta noite tive vergonha dos meus compatriotas, de algumas centenas deles que assistiam comigo à gala das 7 maravilhas. Inchados que estavam dos seus grandes feitos do passado, esquecendo que poucos fazem para igualar os nossos egrégios avós, ignoraram a arte de ser anfitrião, de receber os países que nos visitavam e vergonhosamente vaiaram a presença dos Estados Unidos com a Estátua da Liberdade. Não estávamos nós numa festa? Numa gala que comemorava a civilização? Se minutos antes cantei o hino nacional com a mão no peito e levantei o braço na altura do “às armas! às armas!”, quando ouvi os buuuusss quis bater em todos os que assobiavam. Idiotas!

domingo, 1 de julho de 2007

Porquê?


Não imaginam o que é sair à noite, estar um bocado com os amigos, ouvir as histórias deles, partilhar os seus problemas, rir com os disparates de alguém, com a nossa própria embriaguez e, de repente, aparecer alguém que nos diz “Pois, mas tu gostas do João. Vi na tua expressão na outra vez que falámos dele.” Aí, o olhar brilhante torna-se baço, lágrimas de impotência ameaçam cair pela cara abaixo. Só não o faço porque estou em público e jamais chorarei em público. Colo o sorriso habitual e encolho os ombros como sinal de derrota. Não há nada a fazer. Já não sei, eu mesma, se ainda gosto dele. Sei que aprendi a não sentir a sua falta, sei que não sinto qualquer vontade de falar com ele, de conversar com ele. Afinal para quê? Sei que não vai mudar nada. Sei que vai ter de ser como um jogo em que o árbitro apitou para assinalar o final da partida. Não dá para voltar atrás, há regras para serem cumpridas, há outros jogos para jogar. Não há nada a fazer a não ser regressar a casa e pensar no que há de vir, que o amanhã será melhor, que o próximo jogo será ganho. A derrota fica marcada. Não há como esquecer todos aqueles treinos, todas aquelas técnicas, todas aquelas jogadas para chegar à vitória, todo aquele empenho, todo o amor à camisola... Não dá para esquecê-lo. Não dá para não sentir o aperto no estômago cada vez que me dizem “Então e o João? Gostava era mesmo de vos ver juntos, tu e ele, em vez daquela namorada que ele arranjou.” Então e eu e o João? Porque é que não foi? Porque é que não aconteceu? Desculpem continuar a insistir neste assunto, mas é que continuo a não entender.

domingo, 24 de junho de 2007

Domingo Parte II


Afinal saí de casa e fui almoçar com a minha mãe e os meus tios. Passadas muitas horas quase me arrependi de ter ido. De almoço no Valado dos Frades, passámos a gelado em S. Martinho, passeio de jipe pelos montes na costa para os lados de Salir, seguimos para a Foz do Arelho e acabámos a lanchar nas Caldas da Rainha às seis da tarde. Se ao princípio achei graça, lá para o meio comecei a achar que nunca mais chegava a casa, e nos últimos minutos já nem abria a boca. Não é por mal, mas gosto de ter o meu espaço, não aguento muito tempo de socialização, começo a ficar nervosa e mal disposta, quase começo a responder mal a quem me rodeia. Cheguei a um ponto em que aquele domingo à frente da televisão já me parecia o paraíso. Mas foi bom ter ido, ouvido algumas histórias da sua juventude, histórias da minha avó, de como foi uma mulher forte (ficou viúva com 4 filhos para criar e o mais velho só tinha nove anos!). Desconfio vir de uma família de mulheres de fibra, mas isso é pano para um post inteirinho. Deste dia ficou na memória a forma como a minha avó lidava com os filhos jovens e os posters de mulheres nuinhas que penduravam nas paredes do quarto. Não fazia uma cena, não os arrancava e queimava como se fossem tentações do demo, simplesmente agarrava numas canetas e pintava uns belos biquinis sobre as partes íntimas das meninas. Elegante, não?

Domingo


Hoje bem que queria ir estender-me ao sol na piscina, mas o caraças do tempo está contra mim. Amanheceu cinzento, está a deixar-me cinzenta. Estou a prever um dia em frente à televisão, a fazer zapping pelos canais da cabo, a comer porcarias, a beber coca-cola, e a pensar no que podia estar a fazer, no livro que podia estar a ler, no quarto que podia estar a limpar, na roupa que podia estar a passar a ferro, mas que não me apetece. O que me apetece não posso fazer, não posso. Vou reduzir-me ao meu estado de preguiça, de inutilidade e deixar-me ficar. Não estou triste, nada disso. Estou, como disse, cinzenta, nem preto, nem branco. Vou ficar por aqui, ver se alguma surpresa me cai do céu, se o tempo melhora, se alguém me convida para ir passear, se a a vida não me passa ao lado, se pára e me bate à porta.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Fadinhas


Há dias em que me dá para isto, para a parvoeira. Na noite passada deu-me bem forte. De tal forma que até achei que estava a viver a histórias das fadinhas e das criaturas encantadas da floresta, do livro que estou a ler. O meu amigo , com quem troquei dois ou três beijos fogosos à conta do álcool que nos corria nas veias, veio, a meu pedido, até perto da minha casa para termos uma despedida privada. (Estava parva, mesmo parva, o cérebro não funcionava para lhe ter pedido para vir, só pode.) Estava a tentar perceber o que fazia com ele, agora que o tinha à minha frente, quando o bobi do meu vizinho apareceu, todo simpático a abanar o rabo. Isto é um sinal, só pode ser um sinal, pensei. As criaturas encantadas estavam a ajudar-me. O tal bobi nunca me tinha visto, nunca tinha estado ao pé de mim. Só o conheço porque passo muitas vezes de carro por ele. Mas lá estava ele, às duas da manhã, ao pé de mim pronto para a brincadeira. Até lhe dei umas festinhas no focinho, eu, que nem ligo a cães! Rosnou um bocadinho ao meu amigo quando me agarrou, e ele, quando viu que eu estava a achar mais graça ao cão do que ao seu entusiasmo decidiu ir embora. Achei que estava louca. Até devia estar. É que a menina do livro anda sempre com algum cão atrás, e o bobi avisa-a sempre dos perigos que aí vêm. Estão a ver a coincidência?

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