sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Sou uma insatisfeita. Sou. Quero tudo. E de uma vez. Se não mo dão, faço birra. Amuo. Mimada, podem-mo chamar. Devo ser.
O mais engraçado é que, mesmo quando não tenho o que quero, engano-me a mim própria, digo-me que assim é que está bem, que não podia querer mais porque estragava. Pois é claro que estragava. Não era aquilo que eu queria, era uma cópia barata porque o original já tinha esgotado na loja. Como um boneco que compramos no chinês. É igualzinho ao do anúncio da televisão, só que usa pilhas diferentes. É claro que estas pilhas gastam-se mais depressa, ou ainda são daquelas que rebentam e estragam o boneco por completo. Foi mais barato, é claro que foi mais barato. Mas, de um momento para o outro, foi-se. Morreu. Porque é que não comprei o original? Porque é que me contentei com o mais barato, com o de mais fácil acesso? O resultado só podia ser este.
Engano-me com o que tenho à mão, fecho os olhos aos defeitos. Ignoro as campainhas que tocam na minha cabeça em sinal de alarme. Deixo-me ir. Até ao dia em que bato de cara com o que mais me incomoda, até ao dia em que a pedra no sapato fura o calo e faz ferida. Largo tudo como se me queimasse, quero fugir dali para fora. Afinal de contas porque é que não tive o que queria logo de início? Porque é que nunca o pedi? Porque é que parece que isto se aplica a tudo o que corre mal na minha vida? É que mesmo que o que eu quisesse não fosse o indicado, ao menos ficava logo a saber, tirava logo daí o sentido. Mas assim fica sempre a dúvida. E se?
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Acordou-me às 6 e meia da manhã com um telefonema. Não estava no seu perfeito juízo, é claro. Notava-se pelo entusiasmo com que falava, pelo discurso repetitivo, pelas 100 vezes que disse o meu nome, primeiro e último, que me chamou 'esta gaja'. Noitada rija, já se estava a ver. Adivinhei porque me telefonava. Tinha-lhe enviado um email há dois dias. Nada de especial, uma resposta mais elaborada a uma pergunta que me tinha feito. Lá me devo ter excedido na honestidade, pensei eu. Vai dizer já que isto tá tudo acabado, que vou querer demais dele. Mas não ouvi nada disso. Pelo contrário. Elogios. Ouvi elogios. Sabes que escreves muito bem? Sabes que gosto mesmo muito daquilo que escreves? Escreves como eu. Este mail que me mandaste, eu era capaz de o assinar. Se fosse escrever um livro com alguém era contigo. E és engraçada. És tão engraçada. Fazes-me rir. E eu penso “porra, como é que ela o faz tão bem se só lê porcaria?”. Como é que uma hospedeira escreve tão bem? Sumo de laranja? Mais um croissant? E eles não sabem que és tu, que escreves tão bem. Como é que pode ser? Como, se só lês porcaria, livros da treta?
Ri com aqueles disparates todos, ri quando repetiu pela milésima vez o meu nome, quando disse mais uma vez “mais um croissant”, e depois comecei a ficar incomodada. Elogios? Mas que raio de elogios! Está a chamar-me bimba. Está a pôr-me na prateleira das meninas sem cabeça só porque sou hospedeira e porque uma vez por ano até leio um livro da Margarida Rebelo Pinto ou coisa parecida. Ouve lá. Só falta dizeres que me visto mal. Sabes que andei na universidade? Que até tirei o curso de jornalismo? Tive um professor muito bom chamado Carlos Pessoa que me ensinou muita coisa. E ele continuou. Mas é estranho, é tão estranho. Como é que consegues? E sabes que sou muito exigente com o que leio. Isto é mesmo o maior elogio que te posso dar.
Depois começou a conversa do cabrão profissional, como se auto-intitula. Sabes que eu criei estas defesas, que nunca me vou apaixonar, que tenho (pausou como se contasse pelos dedos) não sei quantas gajas. Por isso já sabes, quando encontrares outro homem de quem gostes agarra-o. E ele vai ter tanta sorte, nunca vai saber o valor que tu tens. Disse-lhe que era para o ano, que ia encontrar alguém certo para mim para o ano. Não! Nós ainda vamos andar juntos 8 anos, vais ver. Bolas, será que não me chega já uma história dessas. E se tivesse de fazer um top, tu estavas lá. E se tiver de ir a um jantar importante, é contigo que vou. És gira, todos gostam de ti. Caladinha, mas interessante. Etc., etc.. Fiquei sem sono para voltar a dormir
Olhem que bonito. Tanto elogio. Ou será conversa do bandido?
domingo, 4 de novembro de 2007
E já que estou numa de citar frases de filmes, hoje revi a última parte de “O Amor não tira Férias” (que rico titulo lhe arranjaram em português). Lembro-me bem de o ter ido ver ao cinema quase obrigada pela Lu, que me dizia “tens de ser como a Iris”. É claro que tinha de ser como a Iris, a personagem da Kate Winslet. É claro que devia ter feito este discurso que cito há um tempo atrás. Não o fiz. Agora também não vale a pena, seria voltar atrás e desenterrar o morto para lhe dar mais uma pázada. Mas fica aqui. Na altura não me pareceu muito acertado, não fazia muito sentido, mas agora sim. Tenho uma vida para começar a viver!
Iris: Shush. You broke my heart. And you acted like somehow it was my fault, my misunderstanding, and I was too in love with you to ever be mad at you, so I just punished myself! For years! But you waltzing in here on my lovely Christmas holiday, and telling me that you don't want to lose me whilst you're about to get MARRIED, somehow newly entitles me to say, it's over. This - This twisted, toxic THING between us, is finally finished! I'm miraculously done being in love with you! Ha! I've got a life to start living.
in, The Holiday
Às vezes é preciso separarmo-nos mesmo das coisas para as conseguirmos ver como elas são. Cliché, mas verdade.
E é claro que ver o Jude Law não faz mal a ninguém. Abençoado seja.
Cá está. Mais uma vez roubou-me as palavras da boca. Esta Meredith do caneco!
Meredith: And it's not about the sex. It's not... about the sex. It's about that moment afterward... when the world stops. It just feels so safe, so safe. I'm not ready to give that up. I'm not ready to give that up.
In, Grey's Anatomy, s4, ep 6
sábado, 3 de novembro de 2007
Não há como negá-lo, onde nos entendemos melhor é na cama. Quando estamos a dormir...
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
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