sexta-feira, 7 de março de 2008

Diálogos

A ex-namorada lembra-se de dar o seu ar de graca.


- Está muito mal. Aquela cabeca nao está nada bem. Ficou sozinha em Madrid desde que acabou com o namorado e nao conhece ninguém.
Sim, sim, coitadinha.
- Nao tive coragem para lhe dizer que estava contigo.
O QUE??
- Sim, sim, fizeste bem. Nao vá ela atirar-se para a linha do comboio.


- A Maria chega no sábado. Vou buscá-la ao comboio e vamos tomar o pequeno almoco.
O QUE??
- Tive de lhe dizer que estava com outra pessoa porque me perguntou se podia dormir comigo.
O QUE??? Isso nao devia estar já esclarecido?


- Vens dormir cá a casa hoje?
- Vou, mas amanha vou de estadia e só chego no sábado. Quem é que me vai buscar ao aeroporto? Nao tens o pequeno almoco?
- Pois...
- Deixa. Vou de taxi para casa.
- É que queria despachar isto, deixar o assunto arrumado com ela.
- Fazes muito bem.


- Afinal no sábado vou estar mais ocupado do que pensava. Vai nascer a minha sobrinha.
- Ah! Entao podes ir buscar-me ao aeroporto!
- Posso. E depois vais comigo ao hospital.
O QUE??? CONHECER A FAMÍLIA?? TODOS DE UMA VEZ?? SOCORRO!!!


Mensagem escrita sem c's com cedilha, nem til, nem acentos circunflexos, porque estou na Alemanha, e os tonis aqui só tem tremas e outras coisas parvas que nao fazem falta nenhuma num teclado.

sábado, 1 de março de 2008

"O que me apetecia mesmo era pegar em ti, meter-te no bolso
e desaparecer durante 1 mês para a costa italiana. Capice?"

Vou voar


Finalmente!! Dois meses depois, dois meses de regresso às aulas, de horário das 9 às 5, de exigências, de raspanetes, de lavagem ao cérebro, dois meses depois, estou finalmente largada. Vou começar de novo, conhecer novas pessoas, novos mundos, novas culturas. Espero que o arranque não seja difícil, que o carro não custe a pegar, e que comece logo a zarpar por essas cabines fora. Viva!!!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Quem diria?

Hoje o meu horóscopo dizia: "Dia favorável em termos de afectividade. Proteja-se e deixe-se proteger. Não se atemorize. Nem sempre é a cabeça que tem de dirigir o barco." Será? Parece ser o que me têm dito. Vou enfiar-me numa cama que não é minha e deixar que me mimem e protejam para confirmar.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A minha mãe

deve pensar: Que rica filha que eu fui arranjar! Ainda não conhece o rapaz há um mês e já dorme na casa dele! Mas onde é que eu errei na educação dela? Não a pus eu num colégio de freiras? E eu até acho que sou moderna, mas assim tanto não.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Fantasma


Não queria voltar a falar nele, não queria dar-lhe qualquer importância, mas a verdade é que nos últimos dias me tem assombrado. Preferia que desaparecesse de vez, que esquecesse que existo. Não ia ficar triste, nem sentir a auto-estima em baixo por ter desistido de mim tão rápido. Ia ficar aliviada, isso é que ia. É que sempre que ele dá o seu ar de graça, com uma mensagem, ou telefonema, é como se passasse uma nuvem negra por mim. Nunca me arrependi de nada do que fiz, nem do que vivi. Foi tudo experiência de vida. No entanto, neste momento, se olhar para os últimos 9 anos da minha vida, não consigo lembrar-me de uma única coisa boa, não consigo dizer que valeu a pena por este ou aquele momento. Só me lembro dos traumas com que fiquei, do quanto alterada ficou a minha visão e opinião sobre relações entre homens e mulheres, do cepticismo que ligo à fidelidade. Não acredito em nada de bom e puro vindo dos homens, a desconfiança anda sempre por aqui. E a culpa é dele. E minha, porque deixei que o fizesse.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Ele é que sabe


Li o livro Killing me softly, de Nicci French, há já uns anos (do qual foi feita uma versão de cinema ranhosa, sem jeitinho nenhum), e hoje veio-me à memória a história de amor doentio dos personagens quando, às 3 da tarde, me apanhei na cama a ouvir música, a conversar, a rir, a sofrer uns amassos, a beijar e a ser beijada, sem ter comido nada, nem almoço, nem pequeno almoço. Nem sequer uma bolachinha! E levantar da cama - só para ir à casa de banho. Não tivesse eu uns compromissos e ficava lá até ao desmaio, até já não ter forças para levantar um dedinho para lhe puxar uns pelinhos da barba pela 3ª vez, para o ouvir resmungar e dizer que aquilo é razão para bater a sério em alguém, a ver se se calava com a história do socialismo e da revolução russa. Vamos levantar? Não, só mais um bocadinho. Chama-me lá mimada e egoísta mais uma vez para me fingir de amuada.
E quando finalmente nos levantámos, quando nos despedimos, pensei que estava doente, que vivia uma história como a do livro, porque por mim, ficava pendurada ao pescoço dele o dia inteiro. Não me lembro de alguma vez o ter pensado em relação a alguém. Se calhar até é normal nestas histórias, mas para mim é novidade. Tal como é novidade ouvi-lo chamar-me amor e deixar, não gritar logo um não me chames isso como sempre fiz, porque toda a vida pensei que se devia ganhar o direito para alguém mo chamar, fosse quem fosse. Coisa nova também é acreditar quando diz que nunca me vai fazer mal, porque sabe o quanto estou danificada e o quanto custa confiar. Sabe que está a apanhar os cacos, vai tendo paciência quando deixo as frases a meio, porque me arrependo do que ia dizer com medo do que possa pensar, e avisa que aquilo tem de acabar um dia, que mais tarde ou mais cedo vou ter de dizer o que penso. Acho que faz bem em ameaçar, em forçar-me a construir opiniões com pés e cabeça, é terapêutico. Melhor do que ir ao psicólogo! Vai custar um bocado, mas lá chegarei.

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