terça-feira, 30 de janeiro de 2007
Choro sempre que vejo a Lista de Schindler. Como é que foi possível?
sábado, 27 de janeiro de 2007
Não andava de metro há tanto tempo, desde os meus tempos da universidade. E hoje andei. Na verdade foi mesmo uma viagem ao passado, fui almoçar com um colega de curso que também não via há anos. Foi um reencontro engraçado, como se o tempo não tivesse passado por nós. Olhámos um para o outro e foi a desilusão do 'oh, estás na mesma'. Eu posso ter uns traumas a mais, ele ganhou uns cabelos brancos, mas entre nós estava tudo igual, a mesma boa disposição, o mesmo à vontade para contar tudo o que se passa nas nossas vidas, para dizer mal um do outro.
Almoço terminado e eu regresso ao metro. Aí uma menina olha para mim e comenta com a irmã como eu era bonita. Achei graça e sorri-lhe. Depois encostou-se à mãe e segredou-lhe "quero ser ela". Subi ao céu e desci. O meu melhor elogio de sempre. Inchei. Senti-me uma das modelos da revista que estava a ler. Nunca me tinha sentido tão inspiradora na vida de alguém. Nunca ninguém tinha dito que queria ser eu. Que emoção. Que bom andar de metro!
quinta-feira, 25 de janeiro de 2007
Os homens são tão previsíveis. Dá para saber exactamente como reagem a várias situações. É só ler os sinais. Não é de admirar que se escrevam tantos livros de auto-ajuda para mulheres, que ensinam a conquistar o seu homem, a mantê-lo, a deixá-lo. E resultam! Na maior parte das vezes eles fazem tudo o que está lá escrito. Telefonam, dão presentes, assumem compromissos, ficam ofendidos e deixam-nos em paz.. É só saber quais os botões a empurrar, é só escolher a reacção pretendida e pôr mãos à obra. Não há como enganar. Fixar um objectivo, seguir os passos e recolher os frutos.
Aqui há um tempo emprestaram-me um destes livros. "Como enlouquecer os homens", chamava-se. Confesso que não li metade. Não sou perita em relacionamentos, mas a certa altura percebi que já sabia tudo o que estava a ler. Estava só a constatar o resultado das minhas acções, ou de amigas minhas. A diferença é que vê-lo escrito altera a nossa percepção das coisas. De repente passa do particular para o geral. O que conhecemos como um caso nosso passa para uma característica geral masculina. Afinal não foi só comigo que ele reagiu assim. Eles reagem todos assim!
Enfim, a ideia mais predominante neste livro é a importância do sexo na vida dos homens. Gira tudo à volta da sua satisfação. Vão ao ginásio para as miúdas gostarem do seu físico, querem sucesso profissional para as miúdas acharem que é um bom partido, compram um carro bom para que as miúdas queiram sair com eles, etc., etc.. Querem sexo, sexo e mais sexo. Se lho tirarem o seu mundo desaba. Tendo esta informação como é que uma mulher deve agir para ter um homem a seus pés? Nada mais fácil: prometer sexo e ir adiando o acto em si. É vê-lo atrás dela. Jantares, passeios românticos na praia, prendas, mensagens amorosas. É claro que depois do seu objectivo alcançado, quando finalmente cede (porque também não somos de ferro), o homem perde instantaneamente metade de toda essa vontade de conquista. O 'ligo amanhã' passa para um 'depois ligo', que nunca se sabe quando será. O que fazer? São assim. Para voltar a tê-lo atrás dela, tem de começar tudo de novo. Negar-lhe o sexo. Hoje não posso, mas amanhã quem sabe...
Sem querer vi-me nesta situação. Passei 7 anos atrás do João. 7 anos em que lhe telefonava, queria estar sempre com ele, chateava-me quando não falava comigo, ia a correr sempre que me chamava, sei lá o que mais fazia. Sei que de repente deixei de o fazer. Deixei de me importar se telefonava ou não, se tinha namorada ou não, se a última vez que o tinha visto tinha sido há duas semanas. Deixei de querer saber. De tal forma que eu própria já nem lhe telefonava e me sentia um bocado incomodada quando ele o fazia. Não fiz nada disto de propósito, não foi com intenção de o ter atrás de mim, mas foi o resultado que obtive. 7 anos depois começou a telefonar-me, a querer estar comigo, a ir a Lisboa de propósito para me ver, a queixar-se de que já não lhe telefonava. Os papéis inverteram-se, com a diferença de que à sua maneira ele sempre gostou de mim, e, no momento, eu já não gosto dele. Sei que não, no entanto não consigo dizer-lhe que acabou, nem mesmo quando mo pergunta directamente. Custa-me falar com ele, estar com ele e continuo a fazê-lo. Talvez no fundo queira tê-lo sempre como reserva, como aquele a quem recorrer quando me sentir em baixo. Só que isso não é justo, não é bom para mim, nem para ele. Mais tarde ou mais cedo vai ter de acabar. Só tenho de saber como.
quarta-feira, 24 de janeiro de 2007
De repente apanho-me desapaixonada. Como é que isto foi acontecer? Nem me lembro da última vez que aconteceu, talvez no 10º ano. Mesmo assim acho que tive sempre um fraquinho por alguém, nem que fosse o pasteleiro. Tive sempre aquela pessoa que desejei que fosse o meu namorado. E agora? Nada. No one. Zero. Não consigo ver ninguém como meu companheiro, como futuro noivo/marido. Perdi o pai dos meus filhos! Onde será que ele se foi esconder? Com quem vou misturar as minhas feições para imaginar a descendência? Com quem vou sonhar? Com que me vou imaginar a dizer o tão esperado "sim, aceito"? Que cena marada!
Não me reconheço nesta pessoa, no eu não dependente de alguém.
De repente consigo concentrar-me nos livros que leio, vejo televisão com atenção, sem ser um desvio do meu pensamento na pessoa de quem gosto, sem servir de distracção. Todas as músicas melosas com as quais me identificava deixaram de fazer sentido. Mas porque carga de água eu ouvia Vanessa Camargo?!
Ganhei uma vida. Acabou-se o ficar em casa para ver se alguém telefona com um convite. Acabou a própria obsessão com o telefone, o andar sempre com ele atrás, o olhar para ele de 10 em 10 minutos para me certificar se alguém ligou e não ouvi.
Como é que isto foi acontecer? Será que vai durar muito tempo? É que na verdade mal posso esperar para me apaixonar de novo. Gosto de estar apaixonada, do nervoso miudinho, do olhar brilhante, de corar quando ouço o nome dele. Até gosto da parte má, de sofrer, de chorar uma noite toda pelo meu amor.
Quem será o próximo príncipe?
Não me reconheço nesta pessoa, no eu não dependente de alguém.
De repente consigo concentrar-me nos livros que leio, vejo televisão com atenção, sem ser um desvio do meu pensamento na pessoa de quem gosto, sem servir de distracção. Todas as músicas melosas com as quais me identificava deixaram de fazer sentido. Mas porque carga de água eu ouvia Vanessa Camargo?!
Ganhei uma vida. Acabou-se o ficar em casa para ver se alguém telefona com um convite. Acabou a própria obsessão com o telefone, o andar sempre com ele atrás, o olhar para ele de 10 em 10 minutos para me certificar se alguém ligou e não ouvi.
Como é que isto foi acontecer? Será que vai durar muito tempo? É que na verdade mal posso esperar para me apaixonar de novo. Gosto de estar apaixonada, do nervoso miudinho, do olhar brilhante, de corar quando ouço o nome dele. Até gosto da parte má, de sofrer, de chorar uma noite toda pelo meu amor.
Quem será o próximo príncipe?
segunda-feira, 22 de janeiro de 2007
Estive a ler os meus diário antigos, os meus desabafos. Estás presente em todos.
De uma forma atribulada acabámos por fazer parte da vida um do outro durante muito tempo. Tanta coisa aconteceu, tantas mudanças, e nós, de uma maneira ou de outra, ficámos sempre na mesma, ligados por uma coisa estranha que penso nem tu saberes definir. Mas nestes últimos meses alguma coisa mudou em mim. Leio os meus diários e não reconheço a paixão com que escrevia, não reconheço a tristeza e mágoa que me fazias sentir. Não me vejo naquelas páginas. Aquela já não sou eu. Já não salto de alegria porque te vou ver, já não morro de desespero porque não me telefonas. E isso deixa-me tão triste.
Não estou pronta para te dizer adeus, ainda não consigo ver a minha vida sem ti. Mas parece que já não te encaixas nela. É como um orgão transplantado que o corpo rejeita. Aguenta um tempo, parece que está tudo bem, mas depois tem de ser retirado para se continuar a viver, para não infectar o resto do corpo e morrer. E eu gosto tanto de ti...
Gosto tanto de ti que nunca te vou odiar por nunca teres ficado realmente comigo. Gosto tanto de ti que ao ler todas estas coisas que escrevi em momentos de raiva, de euforia, só sinto ternura. E sinto pena.
Para onde foi todo aquele amor? Porque é que a nossa história não foi diferente? A culpa foi minha? Foi tua? Gosto tanto de ti que nem guardo rancor. Quero que sejas feliz com quem mais amas. Quero continuar a fazer parte da tua vida. Não sei ficar sem notícias tuas. Não sei como vai ser voltar a casa sem a ideia de que me posso encontrar contigo. Não sei como é viver sem ti. Nem quero.
Mas a paixão morreu. Já não vou conseguir enganar-te mais. Como explicá-lo? Não vou dizer que quero que sejas meu amigo, nunca o fomos na verdade. Quero que continues a ser o meu companheiro, quero que continues a abraçar-me, a contar-me as tuas aventuras de quando eras mais novo, as histórias da pesca. Quero continuar a poder telefonar-te para nos encontrarmos quando regresso a casa nas folgas. Será que posso querer estas coisas? Acabaste por ser o meu refúgio nestes anos todos, o meu tudo e o meu nada. Não estou pronta para te deixar, mas não dá para continuarmos como fomos até agora. Temos de avançar...
sábado, 20 de janeiro de 2007
Sempre pensei que ia ser ele a deixar de falar comigo, de me procurar um dia, e que eu, no auge do desespero faria alguma coisa idiota para estar com ele de novo. Ia querer estar com ele de novo para mais tarde ser eu a deixar de falar com ele. Queria ficar com o orgulho intacto. Não consigo contar as vezes em que tive medo que não me quisesse mais. Não saberia o que fazer se ele me deixasse para trás sem um aviso prévio. Em todas as suas ausências morria um bocadinho. Sentia-me lixo. Sentia-me abandonada, desprezada. Imaginava mil planos de vingança. Queria ir falar com a namorada dele. Queria que ficasse sozinho, como me estava a deixar. Via-me a fazer escandalos nos cafés, nos restaurantes, em qualquer lugar que os pudesse encontrar. Imaginava tudo ao promenor, mesmo sabendo que nunca ia ser capaz de pôr nada em prática. Sou incapaz de gritar em público, de me destacar da multidão. Mas passado uns dias ele procurava-me e eu sentia-me renascer. Voltava o brilho nos olhos, a vontade de pular de alegria. Não conseguia esconder a euforia que sentia por saber que afinal ainda estava na sua vida.
E de repente, sem eu perceber, a paixão morreu. Com ela foram todos os motivos que sempre tive para estar chateada com ele, todos os ultimatos que tinha para fazer. Deixei de adormecer a pensar que não me tinha telefonado naquele dia. Deixei de querer saber. Quando telefonava e dizia que queria estar comigo, quando o faz, só consigo sorrir. Sorrir como se de triunfo, como de vitória por saber que ainda me procura. Mas sinto-me lixada. Não é a primeira vez que isto acontece. Basta andar aos beijos com outra pessoa para esquecer aquela que supostamente é a paixão da minha vida. Como é que posso ter andado tão enganada? Será normal? Como é que tudo aquilo com que sempre sonhei de repente deixa de ter razão de ser? Para onde vão todos aqueles sentimentos? E o rancor? Para onde foi o rancor?
Mesmo assim sei que não estou pronta para lhe dizer adeus. Ainda não consigo ver a minha vida sem ele.
Deixei-me levar mais uma vez.
Tinha decidido que ia acabar com tudo, pela 7ª ou 8ª vez. Disse-lhe que não queria falar com ele, que não o queria ver de novo. Ele perguntou porquê. Porquê? Porque não me deixa feliz. Chorei um dia inteiro. E ele voltou a ligar. Mas é mesmo a sério? Queres mesmo deixar de falar comigo? Queres acabar? Quero. Mais 10 minutos de choro.
No dia seguinte a notícia de que estava à espera: o teu amiguinho foi com a namorada ao casamento do primo dela. Foi o quê? Mas o que é que ela tem que eu não? Porque é que ela aparece nos actos públicos e eu tenho de me contentar com escapadelas a meio da tarde ou da noite, em que ninguém nos pode ver?
Telefonei-lhe. Não atendeu. Devia estar amuado, coitadinho. Liguei de novo. Voltou a não atender. Mau! Já me recriminava por ter ligado. Pelo menos não tinha atendido. Não tinha feito figura de idiota. Mas ele ligou mais tarde.
Ouve lá, porque é que a escolheste a ela? Porque é que foi ela e não eu? Ela? Quem é ela? Eu não tenho mais ninguém. Só a ti. Não mintas! Porque é que continuas a mentir? Acabou! Mas não estou a mentir. Esse não sou eu...
Aparecia de novo a dupla personalidade. Duas pessoas numa só. Pronto. Chega. Esquece.
E fui a Turim. E fui procurar a revista que me tinha pedido. Mas porquê? Porque é que procurava pretextos para falar com ele?
Telefonei-lhe para dizer que não havia e ele percebeu que a minha birra estava a passar. Começou com a falinha mansa. Gosto tanto de ti. Tenho tantas saudades tuas. E eu sabia que neste momento faria o que lhe pedisse. Vem ter comigo logo à noite.. Estaria parva? Teria perdido toda a inteligência que me restava? Não saberia já o que ia acontecer?
Ia acontecer e aconteceu. Ele foi ter comigo. Conseguiu ter-me de novo. Fez-me mais umas promessas vãs e voltámos ao normal. Telefono, não atende. Telefono de novo, não atende. Liga mais tarde, fala durante um minuto, diz que tem outra chamada, que já liga, e nunca mais ouço dele. Será que não sabe que me deixa chateada? Claro que não. Só pensa nele. Só me procura quando precisa. Estou a ver que vem aí outra birra. Isto assim não vai lá.
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