segunda-feira, 30 de abril de 2007

Todos estúpidos!

Hoje foi um dia estranho. Não sei se rir se chorar. O mais certo é continuar apática, sem saber bem como me sentir. Uma coisa não posso mudar, hoje, para mim, os homens são todos estúpidos. Todos. Não se safa nenhum. Desde o meu pai que anda amuado há 4 dias, passando pelo homem das bombas da gasolina que não entendeu uma piada que fiz, seguido do colega que me vendeu uns bilhetes para o Funchal e quis fazer com que eu desistisse de ir só porque o voo estava cheio e depois veio ainda um estúpido que se quis matar no IC2 e todos os outros que fossem na mesma estrada. Todos idiotas. É claro que tenho de acrescentar o João, que não entendeu a parte do sms em que escrevi ‘não me ligues mais’ e passou o dia a ligar-me e a mandar sms com frases do género “atende a porcaria do telefone”, e o Nandinho que achou que eu ia ficar em Lisboa até às 2 da manhã à espera que sua excelência chegasse, porque se lembrou que ia jantar na Mealhada com uns amigos e só depois podia estar comigo.(Atenção. Foi ele que sugeriu o encontro.). Teve direito ao meu silêncio quando mo disse. Sim, porque um dos meus grandes defeitos é não discutir quando devo. Calo-me. Parece que o meu cérebro pára sem saber como processar a informação que está a receber. Fico especada a pensar “mas o que é isto? O que é que me está a dizer? Não é tudo ao contrário do que eu originalmente pensava?” A conclusão a que chego sempre é que sou burra. Burra porque continuo a acreditar neles, neles, nos idiotas, nos estúpidos. Aí já não digo nada, ofereço o meu silêncio, porque a burra fui mesmo eu e não devo mostrar que o reconheço. Passada uma hora é que me vem à cabeça tudo o que devia ter dito. Só que aí a discussão só se desenrola na minha cabeça, não tem receptor.
Estou indignada. Será que me têm em assim tão pouca consideração?

domingo, 29 de abril de 2007

Será desta?

É certo que não andava em sintonia com o João nos últimos tempos. Se dantes vivia por ele, respirava por ele, dependia dele para estar bem ou mal disposta, ultimamente era indiferente à sua presença na minha vida. A entrada do Nandinho deu-me outra perspectiva. Mesmo que ele não seja o melhor exemplo e esteja longe se ser aquele com quem vou ficar para o resto dos meus dias, mostrou-me que há melhor para mim, que há quem me dê mais atenção e que sem dúvida irá aparecer alguém algum dia que vai viver por mim, respirar por mim e depender de mim. Sei disso agora. Sei também que já não tenho medo de ficar sozinha. Antes só que mal acompanhada. Então nada de andar a sofrer por quem não merece, nada de chorar por quem nem me respeita.
Só que continuava com o João, continuava a falar com ele, a encontrar-me com ele, sem ter vontade de o fazer, sem saber porquê. Ria-me com as suas queixas de não lhe telefonar ou de já não querer estar com ele. Achava graça de o ver na minha posição de anos e anos. Era sempre eu quem reclamava. Ainda assim, continua a não me pôr no seu top de prioridades. Reclama que não quero estar com ele, mas quando cedo e digo “vá, vamos lá”, ignora-me, volta só a falar comigo passado 2 dias com a mesma conversa. “Não me ligas, já não gostas de mim”. Andámos 3 semanas nisto. E perdi a paciência. A gota de água, o que fez transbordar o copo foi a rica mensagem que me mandou hoje às 4 da manhã. “Caty, não sei se já casaste, mas continuo a amar-te”. Acordei com isto, estonteada. Mas que merda é esta? Está a brincar comigo? É que o meu nome está longe de ser Caty. Passei-me. Respondi que agora é que a tinha feito bonita, que devia estar mesmo à espera do golpe final. Na manhã seguinte tive resposta, não foi logo depois, esperou pela manhã seguinte porque aquilo nem tinha assim tanta importância, podia esperar. Escreveu que tinha sido a única maneira de chamar a minha atenção. E o pior, que golpe era esse de que eu falava? Mas será idiota?? Respondi como merecia. Esquece. Não me ligues mais.
Fechei os olhos e adormeci de novo. Não sinto nada, em relação ao João já estou anestesiada, já chorei tudo o que tinha para chorar, já tive as desilusões todas que tinha para ter. Foi um bocado estúpido isto ter sido tudo através de sms, pouco adulto. Mas antes assim, do que nunca o dizer. Foram 9 anos. 9 anos. Já estava na altura de acabar. Não posso dizer que me sinto aliviada, mas se dantes queria que me telefonasse, que me procurasse para pedir desculpa, agora nem o quero ver ou ouvir. Não quero saber dele. Não lhe desejo mal, como geralmente acontece nestas situações, nem tenho raiva dele. Quero que seja feliz. No entanto acho que é o rapaz mais burro e idiota que alguma vez conheci. Burro, idiota e estúpido.
Fez parte do meu passado, mas não o quero no meu presente. Do futuro não falo, porque esse está reservado ao destino.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Rancores

Cá estão duas das t-shirts que comprei. Uma para oferecer, a outra para mim. Inspiradoras em certos dias. No meu caso na maior parte dos dias.
Revi hoje um episódio da Anatomia de Grey, dos melhores da 3ª série, e dei por mim a ler a tradução de uma das músicas da banda sonora. “Bitter song”, dos Butterfly Boucher. Reza a história: All I need is a bitter song to make me better. Much better.All I need to write is a bitter song to make me better. Much better. E não é que é verdade? Tem dias que só queremos ouvir músicas tristes, porque nos sentimos o pior do mundo, mas quando começamos a recuperar dá-nos para ouvir destas músicas, rancorosas, que prometem vingança, tipo Alanis Morisette You oghta know, ou Kelis I hate you so much right now. E compramos t-sirts como estas, achamos do sexo oposto o mais idiota que pode haver, que conseguimos bem viver sem ele. Começamos a remendar o partido desta maneira, a odiar tudo o que nos fez mal, a desejar-lhe o pior. Vai ficar sozinho e careca. Vai partir o dente da frente. Vai ser encornado pela namorada. É difícil deixá-lo ir e esperar que seja muito feliz quando nos deixa na pior. E começamos a reconstrução. Ouvimos as músicas que nos elevam o espírito. Quem perde és tu, nunca mais me vais ver, vais querer-me de volta e vou dizer que não, ainda vou ser muito feliz, etc., etc..

Ainda em Londres

Numa das noites preparava-me para dormir quando o meu telefone tocou. Roaming maravilhoso! Era o João.
- Então, ainda estás no México?, perguntou.
- México? Londres. Estou em Londres.
- E estás a gostar? Tens feito muita coisa?
- Sim. Ando morta de cansaço...
- Liguei só para dizer que gosto muito de ti.
- Só isso?
- Sim, gosto muito de ti.
E desligou. Adormeci com um daqueles sorrisos de ternura nos lábios. Às vezes sabe ser querido. Mata-me, mas sabe ser querido. Vai, vai que o vou buscar à casota do cão.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Em Londres


Fui a Londres e voltei. Fiquei neste lindo quarto que a minha grande amiga Bel me disponibilizou. Foi dormir para um colchão na sala para que eu pudesse ficar bem instalada. Um amor.
Pontos altos da viagem:
-as compras que fiz no mercado de Camdem (malas, sapatos e t-shirts com frases giras)
-os minutos que passei a rir e a sonhar com o meu futuro enquanto a Bel me falava de um amigo dela que me achava muita graça e me queria conhecer.
A história deste amigo merece uma abordagem mais profunda. Segundo consta tem dinheiro aos molhos, casas em todos os cantos do mundo, um emprego no mercado financeiro e agora pensa dedicar-se a política. Perfeito para mim, segundo a Bel. Até lembra ligeiramente o Gary! Já me via como primeira dama de alguma terrinha inglesa a acenar aos camponeses tal Jackie O.. E filhos? Também quer um monte de filhos como eu. Assim falado parece perfeito. Só falta agora misturar as duas realidades, a minha e a dele, e ver se combinamos em algo. Nestes dias em que lá estive não deu para nos conhecermos pois o rapaz estava em Zurique, imagine-se, a tratar de negócios, está claro. Ela falava e a minha prima (que também foi comigo a Londres) concordava. Sim, sim, é perfeito para ela. E a Bel continuava. “E ele está avisado que tu não és como eu que faço questão de dividir contas nos restaurantes. Que tens de ser tratada como uma princesa, com direito a porta do carro aberta e tudo.” Á pois. Sou uma lady das antigas, não quero cá modernices. O homem é feito para pagar as contas e beijar a mão à menina. Enquanto não consegue beijar outra coisa…

sábado, 21 de abril de 2007

Ugly Betty


Caraças pá Betty Feia! Dá-me cada lição que cada vez que vejo um episódio penso “toma lá qu’é pá’prenderes!” O grande tema da série é ela não ser exactamente a rainha da beleza, mas que por dentro é do mais bonito que pode haver. Não pode estar mais longe da verdade. Apesar de estar sempre a ser enxovalhada, nunca muda. Tem os seus princípios, não tem medo de nada. Nem de ficar sozinha. O namorado traiu-a com outra? Toca a ir para o tapete do cão. Não o perdoa, não tem medo de ficar sozinha. Ele que se arraste atrás dela para que possa pensar em voltar a falar com ele e perdoá-lo. A Betty Feia não tem medo de ficar sozinha, não quer ser mal amada. Tem o seu orgulho intacto, é dona do seu nariz por mais que a tentem arrasar, não tem medo de mostrar como se sente. Quero ser uma Betty Feia!

Estava no Funchal há uns dias quando comecei a receber mensagens do João. Começava com:
Assim é que se vê quem não liga a quem.
Respondi: Nem sei que te diga. Olha lá bem para o teu telefone para ver se te liguei ou não. Só que não insisto quando não querem falar comigo.
Tenho muitas saudades tuas.
Há uns dias não tinhas.
Porque é que estás a dizer isso?
Porque desligas quando o assunto fica sério, ou não ligas quando achas que estou chateada. Perdes logo as saudades.
Eu perco logo, mas tu nunca tens saudades minhas
Aprendi a viver contigo longe.
Sinto uma grande indiferença. Estares comigo ou não é igual para ti.
És mesmo estúpido, não és? Indiferença é não querer saber. Se me chateio é porque me interesso, porque quero mais e melhor. Ou achas que é porque me apetece?
Porque é que ultimamente não me convidas para nada?
Achas que não convido ou és tu que não me ouves. Ainda me lembro de no outro dia te ter dito que era uma boa noite para irmos ao café.
Estou a ver que com tanta desculpa não queres saber de mim. Beijinho
E assim vejo que o que gostas é de me culpar. Será que sou mesmo eu quem falha nesta história?
No dia seguinte:
Quer acabar tudo, não é?
Tem graça. És sempre tu quem fala nisso.
Onde anda a menina?
Lisboa. Daqui a pouco volto à terrinha.
Ontem:
Não estás mesmo interessada em falar comigo. Não me ligas mesmo nada.
Queres levar-me ao café hoje?
Sem resposta.
Não respondes? I rest my case.

Depois ligou para perguntar o que queria dizer I rest my case. Tadito, inglês não é o seu forte. Não respondeu porque não podia. Já tinha coisas combinadas para aquela noite. Disse-lhe que lá sabia das suas prioridades. Que depois não se viesse queixar.
Anda a provar do seu próprio veneno. Quantas vezes esperei que me telefonasse ou que me convidasse para alguma coisa? Quantas noites esperei por ele e não apareceu? Agora pode ser que perceba que essas coisas não se fazem, que magoam, que nos deixam na mó de baixo a sentirmo-nos o mais rele dos seres. Não gostas, pois não?

;;