terça-feira, 25 de outubro de 2011
O Ken é o nosso condutor designado. Ganhou a sorte grande quando consegui este trabalhinho com os tripulantes que querem passear por Accra fora e consegue ganhar mais num dia do que provavelmente numa semana. E faz por ser o melhor. Nestes dois dias em que andei como sua passageira vi-o como motorista, guia turístico, entremediário e até guarda costas. Às tantas até o via como um pai vigilante.
Foi com ele que aprendi algumas coisas sobre a cultura do Gana.
Contou-nos como é importante o núcleo familiar. Como todos devem obedecer ao chefe da família e responder aos pedidos dos mais velhos. Tem um sobrinho nos EUA, que casou com uma branca e preocupa-o que a mulher dele não compreenda que se ele, o tio, lhe pedir, por exemplo, que me fosse buscar ao aeroporto em Miami, ele tinha de atender ao pedido.
Contou-nos como o olham de lado por falar connosco "gente branca tão importante", como são um povo fechado aos costumes dos outros. Seria impensável para eles falar com alguém, mesmo da mesma cor, que trabalhasse num posto superior, como o da aviação. O normal é nem olhar quando passam. O Ken diz que são todos idiotas, que quando está connosco quer absorver tudo o que temos de bom. Quer aprender os nossos costumes. Se gosta do nosso perfume, quer saber qual é para comprar um igual. Quando me viu a dividir umas tangerinas com todos, disse que isso era impensável no meio deles. Partilha, só com a família.
Os muçulmanos do Gana são um povo sujo, e sem objectivos de vida. Andam por ali sem propósitos. Se falarmos mais de um minuto com eles acham que estamos a faltar-lhes ao respeito. Conduzem como loucos, como se não houvesse mais ninguém na estrada.
Na praia, disse ser estranho ver-nos de biquíni. O povo de lá toma banho vestido. Poucos sabem nadar.
Quando uns nigerianos se meteram connosco no segundo dia, perguntou-lhes logo o que queriam e disse-lhes que seguissem com a sua vida e nos deixassem em paz. Ofende-o essa "conversa da treta". Segundo ele, aquela gente só traz problemas. As praias estão desertas durante a semana, porque são dias de trabalhar. Se estás na praia na segunda feira, ou és irresponsável ou criminoso.
O Ken perdeu uma das filhas há pouco tempo. Não fala muito da família, só sabemos que tem 2 filhas com 18 e 15 anos, e um menino com 12. Tem uma quinta onde cria porcos, mas não gosta da carne.
Contou que guardou umas sandes no frigorífico que um colega lhe levou e que as comeu durante duas semanas. Pão com duas semanas? Mas estava bom? Diz que sim.
É justo mencionar que para aqui chegarmos demoramos mais de hora e meia num trânsito de loucos. Mas vale a pena quando percebemos que temos a praia só para nós.
domingo, 23 de outubro de 2011
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Não há discussões sobre quem vai levar o lixo à rua.
Começou a aquecer.
Parou de arrefecer.
Deixou de fazer aquele barulho horroroso pela noite fora que nos diz que está vivo e de boa saúde.
Deixámo-lo descansar uns dias e pareceu recuperar da maleita, mas poucos dias depois estava na mesma: quentinho, silencioso.
Chamámos o senhor doutor e dez minutos e 50 euros (!!!) depois deu-nos a má notícia. "É para abater. Não há nada a fazer."
Mas era uma criança, só tinha 2 anos e meio. Como é que isto foi acontecer?
Resta chamar o coveiro para enterrar o defunto. Logo haverá outro para o substituir.
Adeus frigorífico! Que sejas feliz no ferro velho da beira da estrada. Ou seja lá onde vos enterram.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Achava que a música dos Roupa Nova era sobre uma senhora chamada Dona. Dóna e não Dôna.









